Pinacoteca exibe retrospectiva do artista venezuelano Carlos Cruz-Diez

No trabalho do artista, a cor deixa de ser 'elemento fixo' para transformar-se em 'acontecimento' a partir da luz

Camila Molina - O Estado de S. Paulo,

12 Julho 2012 | 20h30

SÃO PAULO - "A pintura do passado sempre tem suas mensagens codificadas, nada nela é ingênuo. Aqui não há código, é fenomenologia, é uma coisa que está acontecendo, uma obra no tempo e no espaço, uma ação. É o conceito de um presente perpétuo", diz o artista venezuelano Carlos Cruz-Diez. Desde a década de 1950, quando iniciou sua experimentação com a cor, movimento e luz, criando, de maneira única, as obras de sua série mais importante, a das Fisiocromias, iniciada em 1959, ele se tornou um criador referencial. A retrospectiva que a Pinacoteca do Estado inaugura nesta sexta-feira, 13, dedicada a Cruz-Diez, apresenta seu pensamento e sua produção para além do movimento da arte cinética ou da Op Art.

"Numa época em que os artistas pensavam ser a cor algo do passado, Cruz-Diez foi dos poucos que se interessou pelo tema e ainda quis inová-lo", diz Mari Carmen Ramirez, curadora de arte latino-americana do Museum of Fine Arts de Houston e da mostra Carlos Cruz-Diez: Cor no Espaço e no Tempo, que ocupa as principais salas climatizadas da Pinacoteca, assim como o espaço Octógono do museu. Desde uma pintura figurativa de 1949, Papagaio Verde, em que o artista representa uma favela de Caracas pelo viés do realismo social, sua motivação de então, até se chegar a uma sala com uma das instalações Cromosaturação, em que cor e luz tornam-se experiência física, "na pele", a retrospectiva perpassa o caminho de uma experimentação pulsante do artista, que completa 89 anos em agosto.

O espectador é sempre importante na obra de Cruz-Diez. Em 1954, seus Projetos para Muros Exteriores já eram a vontade de o venezuelano levar a cor para o espaço e para a dimensão pública, criando trabalhos, depois, em relação com a arquitetura. "O mundo da cor é afetivo, cada pessoa terá uma resposta à obra", afirma Cruz-Diez. "Quando comecei a criar as Fisiocromias, as pessoas se surpreenderam com a matéria, mas o importante era o espetáculo", conta o artista. As primeiras obras da série, que colocavam a "instabilidade do plano". foram feitas a partir de estruturas com ripas de cartões pintados e comprimidos na superfície - depois foram usados filtros e outros materiais.

A maior revolução de Cruz-Diez, que vive em Paris desde 1960, foi, assim, a dedicação a uma pesquisa na qual a cor deixa de ser "elemento fixo" para transformar-se em "acontecimento" a partir da luz, do olho e do movimento do espectador.

 

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