Cristina Gallo/Estadão
Cristina Gallo/Estadão

Pinacoteca do Estado traça planos para os próximos anos

Instituição prepara dois espaços e investe em parcerias para criar cronograma com atividades previstas até 2016

Camila Molina - O Estado de S.Paulo,

29 Outubro 2012 | 13h21

Desde os anos 1970, os museus se tornaram populares e, com seu sucesso, são hoje parte da indústria cultural, como diz o diretor técnico da Pinacoteca do Estado, Ivo Mesquita. “É extremamente positiva essa popularidade que trouxe recursos para as instituições museológicas”, continua Mesquita, que em abril deste ano deixou o cargo de curador-chefe da Pinacoteca para dirigir o museu, considerado um dos principais do País. Com um orçamento de R$ 26 milhões previstos para 2012 e um cronograma de exposições e projetos em parceria com a Tate de Londres e MoMA de Nova York, entre outros, já definidos para até 2016, a instituição se prepara para aumentar ainda mais suas ações.

São muitos os desafios para o futuro da Pinacoteca do Estado, mesmo que seja um museu com estrutura estável, com programa de aquisições e que sempre “aparece bem na fotografia”, como brinca Ivo Mesquita. Mantendo três espaços - o prédio central na Praça da Luz e a Estação Pinacoteca no Largo General Osório, que também abriga o Memorial da Resistência de São Paulo -; a instituição está trabalhando na criação de uma filial em Botucatu, no interior do Estado paulista. Há três anos a prefeitura da cidade teve a iniciativa de fazer uma parceria com a Pinacoteca e criar um espaço museológico em um de seus prédios, criado pelo arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928). O local será reformado e vai abrigar exposições de longa duração com obras do acervo do museu de São Paulo. “A Pinacoteca viu com bons olhos a possibilidade de mostrar sua coleção lá”, afirma Mesquita.

A instituição, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura e administrada pela organização social Associação Pinacoteca Arte e Cultura (Apac), terá também como “prioridade para os próximos cinco anos” construir outro edifício, na cidade de São Paulo, para exibir apenas suas obras de arte contemporânea (desde 2007, foram adquiridos cerca de 2 mil trabalhos). É um projeto que vem se arrastando há tempos - o museu apresenta, como um todo, menos de 10% de sua coleção. “Ainda não está definido um lugar, mas sem dúvida não queremos sair desta região (da Luz), que tem potencial e espaço”, diz Ivo Mesquita. “Existe a história de que o novo prédio possa ser no espaço da escola (Prudente de Moraes), que pertence à Prefeitura, mas é necessário que ocorra a transferência dela para um outro edifício a ser reformado. É uma coisa complexa, a ser feita com a Secretaria de Educação da cidade, e você conhece o país em que vive, não é?”, continua.

Mudanças. A Pinacoteca vem reestruturando sua diretoria e corpo administrativo desde abril, quando Marcelo Araujo, que dirigia o museu desde 2002, deixou o cargo para se tornar secretário de Estado da Cultura. Optando por um modelo de continuidade, a Apac transformou Ivo Mesquita, de 61 anos, de curador-chefe da instituição (desde 2007) em seu diretor técnico; manteve Miguel Gutierrez, de 60 anos, como responsável pela área financeira, e nomeou, no dia 15, Paulo Vicelli, de 32 anos, que trabalhava no Itaú Cultural, para o cargo de diretor de relações institucionais e captação de patrocínio. “As coisas foram crescendo de tal forma na Pinacoteca que minha vinda vem para fortalecer as relações com os patrocinadores e comecem a ser perenes”, afirma Vicelli. Valéria Piccoli tornou-se curadora-chefe do museu.

A Pinacoteca realiza 33 exposições por ano, mas Mesquita quer desacelerar essa produção e incrementar parcerias com instituições estrangeiras “numa parte mais complexa”, a de “troca de técnicos”, como a que foi firmada com a Tate, há dois meses. “Eles estavam interessados no nosso setor educativo e nós na sua área de conservação”, lembra. “A Tate mesmo, supermuseu, faz 12 exposições anuais; o MoMA, 16 mostras; e a gente faz 33. É muita loucura, quero fazer pelo menos 20 por ano”, compara o diretor. “O William Kentridge (artista) veio ver o espaço onde será sua exposição e quando olhou o trabalho do Artur Lescher (no octógono), perguntou se a obra ficaria ali por um ano. Disse que não, que ficaria exposta por 92 dias”, conta Mesquita.

Em 2013, ainda não será possível diminuir o número de exposições e aumentar a duração das exibições, mas a Pinacoteca se prepara para fazer isso em 2014. “O desafio é sustentar todas essas estratégias, entre elas, ampliar o programa de patronos do museu. Para você ter ideia, soube que o MoMA tem 566 brasileiros como sócios. Desculpa, e na Pinacoteca?”, pergunta Mesquita.

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