Pierre e Gilles ganham retrospectiva no New Museum

A dupla responsável pela estética que inspirou o trabalho de David LaChapelle está de volta. Pierre e Gilles, os franceses que desde os anos 70 realizaram imagens coloridas e elaboradas, fruto de uma brilhante mistura de fotografia e pintura, ganham sua primeira retrospectiva em um museu americano. A exposição, que vai ser inaugurada no dia 15 de setembro no New Museum, em Nova York, também marca o lançamento de um livro de 120 páginas com os principais retratos deles. Os reclusos artistas que fazem questão de ser chamados apenas pelo primeiro nome começam a ter seu trabalho relembrado em uma era em que a fotografia cada vez mais olha para o passado. Em uma conseqüência natural do mercado, Pierre e Gilles chamam atenção por conta do lado low-tech de sua obra as fotos deles continuam sendo pintadas à mão e feitas em cenários construídos sem ajuda de computadores. Moda - Os dois artistas conheceram-se em Paris no início dos anos 70, quando faziam trabalhos para revistas de moda e música. Em 1977, resolveram unir a experiência em fotografia de Pierre e a de artes plásticas de Gilles para realizar parcerias. Eles começaram a chamar atenção com o convite de um desfile de Thierry Mugler em 1978. Logo em seguida, vieram retratos que hoje são considerados clássicos, como os de Yves Saint-Laurent, Iggy Pop e Catherine Deneuve. No fim dos anos 70 e início dos anos 80, Pierre e Gilles dedicaram-se a fazer trabalhos para revistas comon Actuel, Gay Pied e Samourai, além de mostrar retratos em clubes noturnos em Paris e de produzir capas de discos de nomes como Etienne Daho. A década dos excessos continuou bem para a dupla, que ganhou retrospectiva no Centre Georges Pompidou, em 1984, e em galerias no Japão onde viraram ídolos pop.Consagrados no mundo da música e da moda, Pierre e Gilles transformaram Madonna em gueixa, Boy George em divindade hindu, Nina Hagen em dominadora sadomasoquista, Jeff Stryker no diabo e assim por diante. Suas séries fotográficas de apelo homoerótico, com referências a religião e sexo, foram reproduzidas ao redor do mundo em formas variadas. Pop - O trabalho deles conquistou o pop ao criar universos fantásticos, que incluíam modelos com peles perfeitas, lágrimas pintadas nos olhos e cenários brilhantes e cheios de detalhes em cores berrantes bem similares aos que LaChapelle produz hoje com a ajuda de computadores. Cada imagem demorava cerca de duas semanas para ser produzida. Sua arte também foi parar em videoclipes de nomes como Marc Almond, Mikado e Sandii. Nomes como Elton John e Pet Shop Boys convidaram a dupla para dirigir seus videoclipes, mas a parceria não chegou a acontecer. Há poucos anos, eles também receberam uma proposta para fazer 70 retratos para um livro de Michael Jackson, mas não puderam aceitar por problemas de agenda. Pierre et Gilles, a exposição em Nova York, tem 56 das principais imagens produzidas pela dupla em seus 25 anos de carreira, incluindo retratos como La Panne Patrick et Ruth de 1983, a série Les Plaisirs de la Forêt, de 1996, e Tentation, de 1999, que marca uma fase mais melancólica da dupla. O livro de mesmo nome, que contém 100 imagens e foi editado pelo curador do New Museum, Dan Cameron, tem ainda ensaios variados sobre o trabalho da dupla.

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