Pierre Boulle em duas fortes adaptações

O Amor É Cego

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h08

15H50 NA GLOBO

(Shallow Hal). EUA, 2001. Direção de Peter Farrelly e Bobby Farrelly, com Jack Black, Gwyneth Paltrow, Jason Alexander, Sascha Knopf, Libby Langdon, Sasha Neulinger.

Jack Black faz sujeito que vê as mulheres somente pela aparência. Uma maldição o faz vê-las pela beleza interior e, por isso, ele se apaixona pela obesa Gwyneth Paltrow, que ele vê como Gwyneth é na realidade - sexy

e linda. As comédias dos irmãos Farrelly andam filtrando a crueldade do começo da carreira deles por doses cada vez maiores de sentimentalismo. A fórmula tem funcionado. Reprise, colorido, 114 min.

Premonição 4

22H45 NO SBT

(The Final Destination). EUA, 2009. Direção de David R. Ellis, com Bobby Campo, Shantel Vansanten, Krista Allen, Mykelti Williamson.

No quarto filme da série, no autódromo, Nick tem a visão do carro desgovernado, matando um monte de gente. Ele consegue se salvar - e salvar os amigos -, mas logo a Morte aparece para cobrar a dívida. A série Premonição é a única cujo sucesso está relacionado não a formas como as pessoas podem se salvar em circunstâncias extremas, mas justamente pelo contrário - as muitas formas de matar, e morrer. Pode ser divertido, e o público jovem adora, mas certamente não é para todos os gostos. Reprise, colorido, 82 min.

Cartas Violadas

0 H NA CULTURA

(Cuzde Listy). Polônia, 2011. Direção de Maciej J. Drygas.

Entre 1945 e 1989, sob a rígida censura do regime comunista na Polônia, a polícia secreta violou milhões de cartas para tentar descobrir o que pensavam/tramavam os cidadãos. O elogiado documentário da Cultura dramatiza algumas dessas cartas e superpõe ao texto as imagens de época. É bem interessante. Reprise, preto e branco, 55 min.

TV Paga

Independência ou Morte

12H35 NO CANAL BRASIL

Brasil, 1972. Direção de Carlos Coimbra, com Tarcisio Meira, Glória Menbezes, Kate Hansen, Dionísio Azevedo, Anselmo Duarte, Abílio Pereira de Almeida, Emiliano Queiroz, Heloisa Helena, Vanja Oricok, Francisco Di Franco, José Lewgoy, Sérgio Hingst.

Uma visão talvez edulcorada da história do País, mostrando como dom Pedro I virou herói do povo brasileiro e como ele se dividiu entre duas mulheres - a imperatriz Leopoldina e a marquesa de Santos. O romance, o triângulo, fica mais importante e é isso que edulcora a visão histórica, mas um filme em que o herói sai das moitas fechando o cinto da calça para proclamar a independência não é muito reverente com o mito. O diretor Coimbra, no livro da Coleção Aplauso, lamenta não ter tido coragem de enfrentar a máquina da ditadura, que se apropriou do filme depois de pronto - os militares ficaram à margem do processo, porque temiam que o resultado não ficassem bom e viesse a empanar as festividades do Sesquicentenário (em 1972), no auge da campanha nacionalista 'Brasil, ame-o ou deixe-o'. (Re)Veja, nem que seja só para confirmar como era bela Kate Hansen, que faz a imperatriz. Reprise, colorido, 108 min.

A Ponte do Rio Kwai

14 H NO TCM

(The Bridge On the River Kwai). Inglaterra, 1957. Direção de David Lean, com William Holden, Alec Guinness, Jack Hawkins, Sessue Hayakawa, Geoffrey Horne, James Donald.

O primeiro da série de épicos intimistas do grande Lean ganhou um monte de Oscars (sete), incluindo melhor filme, diretor, ator (Alec Guinness), roteiro adaptado (do livro de Pierre Boulle) e trilha (de Malcolm Arnold). Soldados ingleses, sob o comando do coronel Guiness, constroem a ponte do título, uma obra-prima de arquitetura, só para mostrar que são superiores aos japoneses, que os mantêm como prisioneiros. Mas a ponte será usada para movimentar as forças do inimigo e o alto comando dos aliados planeja sua destruição. Um dos grandes filmes de guerra de todos os tempos. Com seu épico seguinte, Lawrence da Arábia, Lean ganhou outra chuva de prêmios da Academia. Como os roteiristas Michael Wilson e Carl Foreman estavam na lista negra do macarthismo e não podiam aparecer, quem teve o crédito (e ganhou o Oscar) foi o escritor francês Boulle. Reprise, colorido, 161 min.

O Planeta dos Macacos

19H55 NO TELECINE CULT

(Planet of the Apes). EUA, 1968. Direção de Franklin J. Schaffner, com Charlton Heston, Roddy McDowall, Kim Hunter, Maurice Evans, James Whitmore, Linda Harrison.

Michael Wilson (de novo) e Rod Serling adaptaram o livro de Pierre Boulle e o diretor Schaffner realizou, em 1968, a outra ficção científica que fez história naquele ano. Astronauta perde-se no espaço e sua nave cai num planeta dominado por... macacos. Que planeta é esse? O filme fez tanto sucesso que virou série e teve várias sequências, além de ter originado um programa humorístico de TV, no Brasil, O Planeta dos Homens. O espectador que (re)vê hoje os macacos de Schaffner não tem ideia do impacto que causou, na época, a revelação do final. E ah, sim, se o filme é uma aventura eletrizante, a 'outra' fi-ci do ano virou um marco do cinema de investigação metafísica - 2001, Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick. Reprise, colorido, 112 min.

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