Piadas brasileiras do tipo exportação

Executivo do Comedy Central conta que canal investe no stand-up nacional e pretende exibir em países latinos

João Fernando, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2013 | 02h15

Nem só os clichês brasileiros, como samba, futebol e novela, têm vez nos países vizinhos. Agora, as piadas tupiniquins também serão exportadas. "Estamos avaliando e programando para o futuro exibir um programa do Brasil para ver como funciona na América Latina", avisa o argentino Federico Cuervo, vice-presidente Comedy Central - canal exclusivamente de humor - para os países latinos.

Há um ano e meio no ar por aqui, a emissora terá novas atrações nacionais nas próximas semanas. No dia 20 de agosto, às 22h30, estreia o Punch TV, programa de esquetes sobre situações do dia a dia, protagonizado por Fábio Lins e Marco Zenni. Em 2 de setembro, às 22 h, é a vez de República do Stand-up, em que humoristas já conhecidos da TV, como Rodrigo Capela, com passagem pela MTV, e Diogo Portugal, atualmente no Luciana By Night, da RedeTV!, se misturam a iniciantes em um show de comédia com plateia.

O stand-up, aliás, é a menina dos olhos da filial brasileira do Comedy Central. "É um dos nosso pilares. É um gênero que se consolidou nos Estados Unidos e Brasil é a região onde está se desenvolvendo. Há muitos talentos, entre eles pessoas que já trabalharam conosco, como o Danilo Gentili", disse Cuervo em conversa com o Estado por telefone, de Buenos Aires.

A onipresença dos profissionais desse ramo da comédia na TV e nos teatros brasileiros fez com que a alta cúpula do canal de humor visse o potencial para levá-lo aos outros países latinos. "As piadas em português têm um sentindo que pode se perder ao serem traduzidas para o espanhol. O humor, às vezes, é local, mas os temas são universais, usados por comediantes ao redor do mundo."

Além do stand-up, a direção da emissora pretende lançar novas atrações com produções mais caprichadas reduzir os formatos norte-americanos, que hoje têm peso na grade de programação. "A ficção de comédia está na mesa. Filmes e sitcoms são importantes para um canal de comédia. Em 2014, vamos produzir mais. Sempre tivemos compromisso com a produção local", defende Cuervo.

O Comedy Central pertence à Viacom, empresa que comanda canais como o Nickelodeon, Vh1 e, a partir de 1.º de outubro, retomará as rédeas da MTV Brasil. Por isso, a emissora de humor precisar cumprir cota de atrações executadas por produtoras nacionais independente.

No País, o canal tem investido em formatos descobertos na rede. "A internet ampliou a possibilidade de fazer as coisas, é como um campo de provas com menos restrições de conteúdo. Lá, buscamos novos talentos e nos baseamos em ideias para fazer na TV. É claro que não dá para copiar e colar na TV, é necessária uma adaptação."

A produção de conteúdo fora da telinha também está em ascensão no canal. "Fazemos atividades para as redes sociais e jogos com informações extras. Fizemos sitcoms curtas na América Latina e estamos traduzindo para o Brasil. Queremos uma vida paralela no mundo digital", adianta Cuervo. Entre as novidades que vêm da matriz, nos EUA, está o Roast, atração antes comandada por Charlie Sheen, agora sob o comando de James Franco, na qual o ator chamará colegas de profissão em situações cômicas.

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