Phoenix fecha ano triunfal

O vocalista do Phoenix, Thomas Mars, parecia esgotado ao fim da turnê que selou a transformação de sua banda - laureada, em 2010, por um Grammy e um show no Madison Square Garden - em fenômeno do indie rock.

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2010 | 00h00

Lá pela metade da apresentação deste sábado, no Playcenter, Mars deitou-se em um dos amplificadores para descansar. Seus companheiros tocavam o interlúdio instrumental Love Like a Sunset, trilha do novo filme de Sofia Coppola (mulher de Mars), e o cantor fitava a banda com um olhar que misturava orgulho e uma sensação de missão cumprida. O Phoenix via a linha de chegada. Mas, até então, o grupo reproduzia seus hits com a energia rotineira de uma banda afiada por mais de um ano na estrada, nada mais. Lisztomania, possivelmente a música mais querida entre os jovens que foram ao festival, deu início à série de hits. Mesmo tocados sem muita inspiração, estes destaques do cancioneiro do Phoenix possuem, sozinhos, densidade melódica e poesia pop de quilate suficiente para sustentar um bom show. E assim, tocando bem, mas sem a entrega que faz uma grande apresentação, o Phoenix dava indícios de seguir.

Mas alguma faísca reacendeu a chama de Mars e o cantor levantou-se determinado a doar o que lhe restava de sangue. A banda respondeu e deu início a uma retomada crescente que começou com a bela Rome - sem dúvida a canção mais bonita que se ouviu de baixo das espirais metálicas de montanhas russas à beira da marginal. Havia rumores de que o Daft Punk, amigos do Phoenix desde os primórdios (Laurent Brancowitz, guitarrista da banda, chegou a fazer parte de um grupo com o duo) daria uma canja já que estavam na cidade. Mas as esperanças se desfizeram quando o Phoenix, de vento em popa, tocou a dançante If I Ever Feel Better, que os franceses tocaram juntos no Madison Square Garden, em outubro.

O show chegou ao ápice com 1901, belo exemplo do pop fino e pontilhista que o grupo aperfeiçoou em seu ótimo disco Wolfgang Amadeus Phoenix, de 2009. Com a plateia nas mãos, Mars jogou-se por cima de um mar de fãs enlouquecidos e foi carregado por uns vinte metros. Havia, enfim, vencido a maratona.

Só nostalgia. Ao fim de uma noite marcada por indie rock de qualidade, Billy Corgan subiu ao palco principal para liderar a banda que insiste em chamar de Smashing Pumpkins. Não há mais nem um integrante original e o som é bem distante do que era nos anos 90: enveredou para um heavy metal progressivo cafona que fala grosso mas não empolga. Quando tocou Bullet With Butterfly Wings e Tonight, Tonight, clássicos dos anos 90, mostrou lampejos de uma grande banda. Mas foi só nostalgia. O nome Smashing Pumpinks não passa de um chamariz que, curiosamente, mesmo sendo o principal da noite, não chegou ao nível das bandas atuais.

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