Phillip Noyce, feliz da vida com sua heroína

Para o diretor, Angelina Jolie faz toda a diferença em Salt

Crítica: Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

Phillip Noyce virou um bom amigo da Mostra. Anos atrás, ele aqui esteve para apresentar Geração Roubada, sobre crianças aborígines separadas dos pais, na Austrália dos anos 1930. Depois, dirigiu um dos episódios de Bem-Vindo a São Paulo. Noyce fez sua autocrítica na entrevista que deu ao Estado. Disse que havia sido um bom soldado em Hollywood, na guerra do cinemão pelos corações e mentes do público de todo o mundo. Em Geração Roubada, usou as mesmas armas para fazer um thriller político.

Noyce voltou a ser um bom soldado de Hollywood. Estreia hoje Salt, seu thriller estrelado por Angelina Jolie. Em Cancún, no México, onde a Sony exibiu o filme para jornalistas de todo o mundo, Noyce achou graça quando o repórter fez a observação. Retrucou: "O filme foi formatado para Angelina, mas comporta observações interessantes sobre a identidade das pessoas. Acho que nunca chegamos a conhecer completamente quem quer que seja. E quando aplicamos rótulos, em geral somos reducionistas".

O rótulo de "soldado"? Ele ri, porque o repórter captou a "mensagem". O que havia de tão atraente em Salt? "Angelina. É uma das mulheres mais belas do mundo. E já era atriz premiada (com o Oscar, por Garota, Interrompida) quando virou heroína de ação. Com ela, você tem a segurança de criar personagens densas, que fujam ao unidimensional." Salt era um projeto de Tom Cruise, que o astro trocou por Encontro Explosivo. Veio da cúpula da Sony a proposta - por que não transformar o herói de Tom numa heroína de Angelina?

"Se fosse Tom, o espectador com certeza já teria visto essas cenas de ação", diz Noyce. "Angelina faz toda a diferença." A perseguição inicial é eletrizante. Angelina minimizou os dublês, salta de carros em alta velocidade, voa numa moto, bate e arrebenta, tudo muito bem filmado (e montado). Foi difícil? "São cenas que exigem planejamento. Depois, coordeno as equipes, mas, no final, tudo volta para mim. É puro animatronics." Salt é um típico thriller de paranoia, mais próprio da era George W. Bush do que de Barack Obama. Envolve um plano russo para invadir os EUA. Absurdo? Na mesma semana em que Noyce e Angelina exibiam Salt no México, uma espiã russa era desmascarada nos EUA. Noyce defende-se. "O fato de serem russos não significa nada para mim. Meu pai trabalhou na espionagem do Exército. É um universo que me fascina desde criança. O que me interessa é a máscara que o espião usa."

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