Pharmácia é a nova moda dos jardins

Um restaurante jovem, animado, meio barulhento, com uma cozinha interessante, criativa, saudável e que foge da rotina. Assim é o Pharmácia, mais uma casa da moda na região dos Jardins. São dois ambientes distintos, um deles mais claro, com umas dez mesas, um balcão na lateral com banquetas de metal, espaço para bebericar e esperar mesas num nível ligeiramente superior com mesas baixas. Ao lado, um salão mais escurinho, que começa estreito, com as mesas coladas à parede e depois se alarga ao fundo, onde fica um bonito forno a lenha. O serviço é evidentemente amador e bastante simpático, mas a recepção poderia ser mais eficiente, pois a lista de espera segue critérios difíceis de serem explicados. Um detalhe que pode irritar alguns clientes, mas de fácil correção. O nome pode sugerir uma cozinha natural, mas ninguém precisa ficar desconfiado, pois ela é saudável sem cair no natureba, nos exageros de pratos que podem fazer bem à saúde, mas que fazem mal ao senso estético e ao paladar. Nada de frituras e gorduras. Em compensação, muitos vegetais. A orientação é dada por Ana, que comanda uma excelente rotisserie, com massas espetaculares, a Mesa III. Ela tem experiência, criatividade e bom gosto. O Pharmácia dá ainda a impressão de não querer chegar à sofisticação da haute cuisine com seus pratos rebuscados e ingredientes caros. O cardápio normal propõe oito entradas e saladas (entre R$ 6 e R$ 20); cinco sopas (entre R$ 5 e R$ 5,50 as porções menores e entre R$ 8 e R$ 8,50 as maiores); sete sanduíches (entre R$ 8 e R$ 14); onze pratos principais (carnes, aves, massas, etc, entre R$ 15 e R$18) e dez sobremesas (atraentes, também fugindo da rotina, entre R$ 4 e R$ 6). Algumas das saladas são propostas ainda em porções menores e mais baratas. É bom também prestar atenção à lousa que anuncia os pratos do dia, alguns dos quais bastante apetitosos. Os legumes preparados no forno de lenha com parmesão e ervas podem abrir com classe o jantar (pimentão, abobrinha, berinjela e tomate). Também muito interessante o ceviche de salmão, o peixe cru cortado em quadradinhos, curtido no limão (não muito marcante) e com ervas, entre as quais o coentro. Gostoso, bem caseiro o creme de cenoura. Para acompanhar, pães feitos na casa, como o de abóbora e o de mandioqinha. Um aspecto muito simpático. O quibe de abóbora com ricota e salada é provavelmente um dos carros-chefes da casa. Ele tem a aparência de um quibe assado de carne, é leve, saudável, com um toque delicioso de especiarias típicas da cozinha árabe entre as quais a canela. Uma adaptação excelente. Bom, mas nada entusiasmante a massa fresca com legumes e deliciosos bolinhos (polpetinhas) de salmão. Massa al dente, servida numa cumbuca de louça. Entre as sobremesas, fraco o creme catalão (crosta dura demais e creme quase líquido) e atraentes a salada reunindo laranjas de vários tipos com água de rosas e o bolinho origami (uma espécie de bolo de chocolate envolto num papel dobrado e com uma bola de sorvete por cima). Café expresso correto e carta de vinhos apenas sofrível. A casa merece melhores garrafas.Serviço - Rua Sampaio Vidal, 1072, Jardim Paulistano; tel: 3085-5758; Aceita Credicard e Dinners; Estacionamento com manobrista por R$ 5; Especialidade: Cozinha Variada

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