Petrobras vai distribuir R$ 3 milhões para as artes cênicas

A Petrobras lançou esta semana o concurso para seleção de projetos de seu Programa de Artes Cênicas, que distribuirá R$ 3 milhões para produtores que tenham espetáculos previstos entre abril de 2002 e junho de 2003. A grande novidadeé o foco do patrocínio, que está na exibição e não na produção. Ao contrário de outros financiadores culturais, a estatal não vai distribuir sua verba entre espetáculos e sim em circuitos com, no mínimo, três produções agendadas para o mínimo de três cidades."É a primeira vez, no meu conhecimento, que seprivilegia a exibição de artes cênicas e não a sua feitura", ressalta o presidente da Arte e Cultura, Yacoff Sarkovas, cuja empresa, especializada em políticas culturais, formata ospatrocínios da Petrobras. "O Brasil tem uma produção cultural fantástica que circula pouco ou por falta de articulação dos empresários do setor ou porque esse item nunca é previsto nosorçamentos ou projetos de patrocínio."Tal como nos outros programas de Artes Visuais e de Curta-Metragem, o de Artes Cênicas dará preferência a projetos de teatro, dança, circo, ópera, performance (ou tudo isso junto) de linguagem brasileira contemporânea, sem compromisso comercial. Sarkovas explica que, por ser um patrocínio institucional, esse caminho é o mais adequado. "Pode até estar incluído no cardápio do empreendimento algum espetáculocomercial ou mesmo estrangeiro, mas preferimos este outro perfil pois já há no mercado marcas de consumo que têm interesse num espetáculo mais voltado para o resultado financeiro."O que não significa que esse aspecto será deixado de lado ou que está pré-estabelecido um número de beneficiados. Os R$ 3 milhões destinados ao programa vão ser distribuídos (no máximo R$ 750 mil individualmente) aos empresários que tiveremmaior capacidade de articulação com outros financiadores ou com locais de exibição. "Quem conseguir, por exemplo, levar seu espetáculo a várias cidades e reduzir os custos com os teatros,estada ou transporte, terá preferência", avisa Sarkovas. "Mas a qualidade será o item primordial para a comissão julgadora, que vai se reunir a partir de dezembro e dar uma decisão atémarço de 2002."Baseado na experiência do programa Petrobras nas Artes Visuais, que selecionou, no primeiro semestre, 13 projetos entre 800 inscritos, Sarkovas acredita que, para artes cênicas, onúmero de candidatos ultrapasse a centena, inclusive pelo ineditismo de suas regras, mas confia na qualidade do que será oferecido à Petrobras. "No Artes Visuais, pelo menos cemprojetos poderiam ser beneficiados se houvesse mais recursos", lembra ele.O alcance do Artes Cênicas em termos de público será conhecido na medida em que os projetos forem escolhidos. Um dos itens que os candidatos devem deixar claro é a capacidade das salas de espetáculo visadas pela produção.Corpo e Galpão - A par do Petrobras nas Artes Cênicas, a estatal mantém seu financiamento aos grupos mineiros Corpo (de dança) e Galpão (de teatro) e ainda poderá incluir outros na suaagenda de patrocínios. Segundo Yacoff Sarkovas, isso vai depender de uma decisão do conselho escolhido pela empresa para elaborar seus programas de incentivo à cultura e, em últimainstância, à verba disponível para 2002, cuja definição está em curso.O que já está definido é a complementação do ArtesCênicas, com financiamento para projetos de reflexão e registro, cujo edital deve ser lançado até o fim do ano. De toda forma, a Petrobras continua na frente dos patrocínios culturais, posto que tinha no ano passado. Segundo dados do Ministério da Cultura em 2000, as empresas brasileiras destinaram a projetos culturais (através das Leis Rouanet e do Audiovisual) R$ 292milhões do imposto que pagariam. A Petrobras entrou com a maior fatia desse bolo, R$ 43,5 milhões.

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