Petrobras injeta R$ 1,5 milhão no Grupo Corpo

O Grupo Corpo, um dos mais importantes e premiados do País, acaba de fechar um patrocínio de R$ 1,5 milhão com a Petrobras, até o fim deste ano, renovável por mais dois. "Namorávamos esse acordo há quase um ano e agora conseguimos efetivá-lo", afirma Sérgio Mello, gerente de Marketing da BR."Esse é um patrocínio que tem tudo para dar certo, um casamento feliz, uma vez que a Petrobras e o Grupo Corpo falam a mesma língua", afirma o diretor da companhia de dança, Paulo Pederneiras. De acordo com ele, a imagem dos dois grupos é muito parecida, pois ambos são competentes e reconhecidos internacionalmente."O Corpo faz praticamente 60% de suas apresentações na Europa e nos Estados Unidos, uma característica que agrada à Petrobras, que tem interesses fora do País", explica Pederneiras. Essa idéia é reforçada com a exclusividade da estatal para os espetáculos que ocorreram fora do território nacional. Para este ano, já estão programadas apresentações na Alemanha e na França.Para Mello, esse é um reconhecimento, por parte da empresa, da qualidade do trabalho feito pelo grupo mineiro. "A Petrobras investe em qualidade de vida, competitividade e na brasilidade, isto é, valoriza grupos nacionais que dão certo."Todo esse otimismo não é em vão. O Grupo Corpo é uma companhia da dança que deu certo fora do eixo Rio-São Paulo. Fundado em 1975 em Belo Horizonte, apresentou a coreografia Maria Maria, de Oscar Araiz, inspirada na música de Milton Nascimento e Fernando Brandt. A resposta do público foi imediata o sucesso propiciou a criação de O Último Trem.A partir de 1982, um dos artistas de dança mais completos assumiu a direção coreográfica do grupo: Rodrigo Perderneiras, na época coreógrafo residente, impulsionou a companhia e deu início a uma nova fase. Considerado um nome de peso, o coreógrafo tem características particulares - ele dirige ilumina, coordena e produz.Em 1994, o Grupo apresentou-se na Bienal de Lyon, uma das mais importantes do gênero, e impressionou o diretor do festival, Guy Darmet, que também é o diretor da Maison de la Danse, o teatro oficial da cidade. Imediatamente Darmet confirmou a presença do Corpo para a edição seguinte da Bienal.Mas o diretor francês ainda não estava satisfeito e, em 1995, conquistou os bailarinos mineiros. O Grupo Corpo passou a ser companhia residente da Maison de la Danse. Um feito inédito em termos cênicos, uma associação que não é comum por aqui nem por lá. Poucas companhias mantêm duas residências, o Frankfurt Balé, do Forsythe, é outro dos raros exemplos.A fama internacional não parou por aí. Na turnê deste ano, Jack Anderson, crítico do jornal americano New York Times escreveu: "O Grupo Corpo, com sede em Belo Horizonte, mostrou sua tradicional exuberância." Já o crítico do inglês The Times, Donald Hutera, foi além: "É muito gratificante assistir a uma performance tão sedutora e generosa. A julgar pela reação calorosa do público após esta apresentação dupla, eu não estava sozinho neste prazer tão elevado." Sem dúvida, esse é um grupo que deu certo, como afirma a Petrobras.Para este semestre está programada uma turnê nacional que estréia em São Paulo no dia 9. "Mostraremos uma coreografia nova, com músicas de Arnaldo Antunes", adianta Paulo Pederneiras. "Será a temporada mais longa do grupo - ficaremos duas semanas no Teatro Alfa." Depois, o grupo vai a Brasília, ao Rio e outras capitais.

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