Petrobras anuncia investimentos na cultura

Para incentivar e organizar a arte contemporânea brasileira, a maior estatal do País anunciou hoje, no Parque do Ibirapuera, o projeto Petrobras Artes Visuais. O programa começa em 2001 e tem duração experimental de três anos. Depois desse período a comissão organizadora - do qual fazem parte a pesquisadora Ana Maria Beluzzo e o curador-adjunto do departamento de pintura e escultura do Museu de Arte Moderna (Moma), em Nova York, Paulo Herkenhoff - se reúne novamente para estudar os resultados e avaliar novos investimentos. Mas como 2005 ainda está longe, o mundo artístico já vibra diante dessa injeção de incentivo que vai focalizar artistas com anos de carreira mas que ainda permanecem desconhecidos. "O programa não terá o objetivo de lançar novos talentos ou iniciantes", adianta Ana. " Vamos atrás de gente que trabalha há tempos e nunca teve um trabalho publicado ou incluído em um acervo". Um outro diferencial é a temática do projeto. "O investimento cultural não será mais pulverizado, mas sim direcionado e abordado por semestres", disse o produtor cultural Iakovo Sarcovas, que participou do anúncio, ao lado do gerente de patrocínios da Petrobrás, Sérgio Bandeira de Mello, e de Ana Beluzzo. A primeiro modalidade a ser investida será artes cênicas. O segundo não foi divulgado, mas há planos para artes plásticas e cinema.Segundo Bandeira de Mello, este ano, como avant premiere do que será o projeto, a Petrobras inaugura dia 27 de julho, MAM de São Paulo, a mostra retrospectiva do artista plástico Cildo Meirelles. Candidatos - A cada seis meses, a Petrobras publicará um edital destinado a artistas, críticos, historiadores, curadores, museólogos, educadores e pesquisadores brasileiros, naturalizados ou estrangeiros residentes no País, que desenvolvam pesquisa individual ou atividade institucional e acadêmica. O documento trará as regras, a modalidade a ser patrocinada e o endereço para a postagem do material. Os trabalhos passaram por um "júri crítico vivo", como definiu Ana Maria, que avaliará os materiais com direcionamento para produção artística contemporânea, que seja interessante em outras regiões, para que haja uma itinerância, e que trace uma ação educativa envolvendo o ensino fundamental e médio e a educação à distância. Uma das preocupações da comissão também será regulamentar um acervo público e criar arquivos documentais. Preocupados com a qualidade e não com a quantidade, o júri, trocado a cada módulo, terá total liberdade para patrocinar somente um trabalho. Mas só serão aceitos projetos de interesse público sem fins lucrativos, que poderão ser propostos por instituições ou empresas.Os organizadores, no entanto, ainda estudam regras para os projetos que terão uma repercussão acima do esperado e que indique uma segunda edição. "A Petrobras não garante e nem proíbe a possibilidade", disse Sarcovas. Os critérios deverão ser estabelecidos na segunda fase, que ainda deve passar por horas de reuniões entre Ana Beluzzo e Paulo Herkenhoff. A primeira fase foi elaborada depois de dois meses de discussões.

Agencia Estado,

17 de julho de 2000 | 23h00

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