Pet Shop Boys voltam revigorados com o disco Electric

Tanto a música quanto as circunstâncias fazem do novo do Pet Shop Boys um respeitável passo discográfico. São 27 anos de estrada marcados por um amadurecimento digno, que manteve Chris Lowe e Neil Tennant entre veteranos de bom gosto durante a última década - mesmo que à custa do ocasional botox fashionista em suas turnês. Também abriram uma gravadora - a x2 -, fizeram turnê e lançaram dois discos em menos de um ano. Elysium, o último, é tão sonolento que os acertos pulsantes de Electric, recém-chegado às lojas, parecem choques de reanimação cardíaca (nunca um título de disco do Pet Shop Boys foi tão direto).

ROBERTO NASCIMENTO, Agência Estado

30 de julho de 2013 | 11h05

Como parceiros, Chris Lowe e Neil Tennant parecem ter alcançado um vale-tudo composicional que apenas satisfaz a demanda por material inédito. Frases nonsense como "Bolshy, bolshy bolshy", ou "Love is a Bourgeois Construct", com seus ares de tratado filosófico, viram refrão e, longe de memoráveis, soam preguiçosas - no caso da segunda, o resultado beira o patético, com ares enfadonhos de megarrave pós-Daft Punk e ecos de Go West para atrair a velha clientela gay da dupla.

Mas se a criação de tutano musical já viveu dias melhores na escrivaninha de Neil e Chris, a sensibilidade de saber se cercar de pessoas certas (vista já há algum tempo nos figurinos das turnês) continua excelente. Em Electric, agrega o produtor Stuart Price, veterano do house parisiense, conhecido por fazer um face-lift no som de Madonna em meados dos anos 2000. Voilá. Quatro ou cinco faixas adentro de Electric, Stuart toma posse do disco e inverte sua hierarquia. De repente - de Fluorescent em diante, para ser exato - Neil e Chris passam a trabalhar para o produtor, como se fossem convidados a participar em seu próprio disco - ou como se Stuart tivesse os remixando.

Assim, sintetizadores, batida e climas tornam-se tão importantes - ou mais - quanto a canção em si, como deve ser em um disco de pista. Stuart trabalha em uma eficaz gama de referências antigas e contemporâneas, com sacadas de house vintage, piscadelas aos primórdios do Pet Shop Boys, e macetes de Electronic Dance Music atual.

O miolo do disco - de Fluorescent a Shouting in the Evening - em que Price trabalha essas referências, faz de Electric o melhor disco do Pet Shop Boys em mais de uma década. Traz também o melhor refrão do duo recentemente: um cover de The Last to Die, de Bruce Springsteen, exemplo do faro para adaptações que Neil e Chris mostram desde Always on My Mind.

ELECTRIC - X2 RECORDS R$ 74,90 ou US$ 9,99 (iTunes)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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