Pesquisador prepara livro sobre cartazes de cinema

O pesquisador Hamilton Correia, de 72 anos, coleciona, há décadas, cartazes de cinema. Brasileiros e estrangeiros. Agora, ele está preparando livro nos moldes do francês Les plus Belles Affiches du Cinéma Italien (Os mais Belos Cartazes do Cinema Italiano). Trata-se de álbum de capa dura, em policromia e com informações sumárias sobre os filmes. O destaque vai todo para os cartazes."O autor Michel Geniès sabe que o fã de cinema quer ver as estrelas (atrizes ou atores), os recursos gráficos usados no cartaz e a arte de quem criou cada peça", diz Correia. "Daí o destaque que ganham, em detrimento de textos ou ficha técnica sobre o filme que ajudaram a vender."O prefácio de Les plus Belles Affiches du Cinéma Italien traz a assinatura da atriz Cláudia Cardinale. Hamilton Correia ainda não escolheu quem será a atriz ou ator que prefaciará Os mais Belos Cartazes do Cinema Brasileiro, projeto que acalenta desde 1994.O pesquisador baiano, que estudou em Nazaré das Farinhas (cidade natal do jogador Vampeta e de seu cinema), prefere dar a seu álbum o título de Os mais Importantes Cartazes do Cinema Brasileiro. "Como sou, além de colecionador, um pesquisador, preocupo-me em buscar cartazes que representem os momentos-chave do cinema nacional." E acrescenta: "Com meu grande mestre, Walter da Silveira (1915-1979), aprendi a valorizar o cinema e seus momentos de renovação. Por isso, abaixo de cada cartaz, quero publicar ficha técnica e sinopse do filme em questão."Limite - A coleção de Hamilton Correia já está bem guarnecida. "Daria um livro com os mais belos cartazes, mas não com os mais importantes", pondera. E exemplifica: "Não consigo o cartaz de Limite (Mário Peixoto/1931). Já consultei especialistas na obra do realizador fluminense e nenhum deles soube precisar se houve um cartaz para divulgar o filme. Talvez nem tenha havido, pois Limite, obra de vanguarda, nem sequer foi lançado comercialmente." Mesmo assim, procura o cartaz do vídeo (coleção Tesouros do Cinema Brasileiro, da Funarte). "Sem título tão importante, meu álbum não pode sair."Correia deseja, também, mais cartazes da Atlântida (fase da chanchada), da Cinédia (dramas e musicais produzidos por Adhemar Gonzaga), de clássicos isolados como Exemplo Regenerador e Fragmentos da Vida (José Medina/1894-1980), e de filmes de produtoras independentes paulistas, como a Maristela, a Brasil Filmes e a Cinedistri. Ele garante que o melhor de seu acervo está no Ciclo Baiano (Redenção, Barravento, A Grande Feira, Tocaia no Asfalto) e no Cinema Novo (Os Cafajestes, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Vidas Secas, Os Fuzis, Terra em Transe). Aliás, de Glauber Rocha, ele tem quase tudo: O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, Cabezas Cortadas (este feito na Espanha, com Paco Rabal e Pierre Clementi) e A Idade da Terra.Hamilton Correia apaixonou-se pelo cinema em Nazaré das Farinhas, freqüentando o Cine Rio Branco, que se transformou em ruína, foi recuperado pelo jogador Vampeta e deu origem ao documentário A Resistência dos Sonhos, de Joel de Almeida (prêmio na Jornada da Bahia/2001). Radicado em Salvador, continuou plugado no cinema. Via tudo que podia nas matinês. Nos anos 50, agregou-se ao Clube de Cinema presidido por Walter da Silveira. "No auge de nossas atividades chegamos a contar com 1.200 sócios", relembra. Em 1970, a instituição esfacelou-se, dando origem ao Cinema de Arte da Bahia.Hoje, aposentado, Correia assina coluna de cinema & vídeo no jornal Shopping News e promove exposições de seu acervo em clubes e instituições culturais de Salvador. "Tenho 700 cartazes", contabiliza. "Um quarto desse total é composto de filmes brasileiros." O pesquisador conta que é bem mais fácil conseguir cartazes estrangeiros. "Desde 94, meu filho estuda nos EUA. De lá, ele me manda cartazes raros, que compra em lojas especializadas e instituições culturais."Interessados em colaborar com o livro-álbum de Correia devem contatá-lo pelo telefone (0--71) 247-2501 ou pelo endereço: Av. Princesa Leopoldina, 17/301, Salvador, Bahia, CEP 40150-080. "Estou mais preocupado com a obtenção de títulos raros e troca de acervo e informações do que com recursos para editar o livro", avisa. "Até porque uma empresa baiana vai patrocinar a primeira edição, que será distribuída como brinde entre seus clientes." A segunda edição, para o público em geral, sairá a preço bem mais acessível, pois os fotolitos já estarão prontos.

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