Peso e ternura

Peter Frampton entrou para a história com uma balada. Agora, vem a SP bem mais bélico

Entrevista com

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2010 | 00h00

Uh, baby, amo o teu jeito! Raros são os que nunca ouviram esse refrão em inglês (Uh, baby, I love your way). O autor, o cantor e guitarrista inglês Peter Frampton, ganhador do Grammy, desembarca em setembro no Brasil com sua banda para uma série de cinco shows. As apresentações acontecerão em Brasília (dia 9), Rio de Janeiro (11), Porto Alegre (14), Curitiba (16), São Paulo (17) e Belo Horizonte (18). O músico, que já tocou no País em 1978 e 1996, apresenta seu novo álbum, Thank You Mr. Churchill.

Peter Frampton imprimiu a marca de sua guitarra na história do rock desde o primeiro grupo, Humble Pie, quando tinha apenas 18 anos. O roqueiro britânico marcou os anos 70 com sucessos como Baby I Love Your Way e Show Me The Way (de seu quinto álbum-solo, Frampton Comes Alive, que é um dos discos ao vivo mais vendidos de todos os tempos). Aos 60 anos, o ex-coleguinha de escola de David Bowie contou com reforços consideráveis no novo trabalho, como o baterista do Pearl Jam e Soundgarden, Matt Cameron, e o produtor Don Gunn, do Death Cab for Cutie. O álbum foi gravado no estúdio privado do artista, em Cincinnati, Ohio. Por telefone, Peter Frampton falou ao Estado sobre a nova turnê e a atual fase de sua carreira.

O título do seu novo disco, Thank You, Mr. Churchill, leva a crer em alguma abordagem patriótica. De onde vem?

Eu sempre vou agradecer, minha vida toda, à atuação de (Winston) Churchill (primeiro-ministro inglês) durante a Segunda Guerra Mundial. Foi devido a ele, muito provavelmente, e à ação dos Aliados, que meu pai voltou da guerra. Senão, eu não teria nascido. Ele era capitão da artilharia inglesa. Eu sou fruto daquela geração de baby boomers pós-guerra. Essa é a razão do título.

Como encara, nos dias de hoje, a atuação militar britânica em lugares como o Iraque?

Sou britânico, mas vivo há muitos anos na América. Creio que posso falar melhor do ponto de vista da América. Sou contra a coisa toda, acho que nós já devíamos ter saído de lá há muito tempo. Tenho o sentimento de que devemos combater Osama Bin Laden e aquilo que ele representa, mas não podemos sair pelo mundo impondo nossas crenças e a nossa cultura. É errado.

O seu disco anterior, Fingerprints, ganhou um Grammy e era um álbum instrumental. Esse novo disco tem rock, tem baladas, tem instrumental quase erudito. Você queria mesmo fazer uma espécie de patchwork?

Sim. Se você ouve minha voz ao longo da carreira, sabe que essa alternância sempre esteve presente. Amo todos os tipos de música. Concordo que este é um álbum ainda mais diverso, mas acho que ele tem, no geral, uma pegada maior de rock. Depois que lancei o maior sucesso da minha carreira, o disco Peter Frampton Alive, vi que o caminho que estava trilhando me fez virar um popstar. As pessoas esperavam de mim a atuação de um pop star, coisas que virassem sucesso imediato. Quando lancei Fingerprints, me veio uma grande satisfação, porque me dei conta de que estava ganhando o prêmio pelo trabalho como músico, pelas composições em si, que não eram grandiosas nem tinham grandes apelos de público. Depois daquilo, me senti mais livre para buscar os caminhos que achava mais adequados. Compus mais de 50 canções entre um álbum e outro, e o mais duro foi escolher quais entrariam nesse disco. Acabamos ficando com essas 11 canções.

Uma das faixas do seu novo disco tem seu filho, Julian, cantando. Sempre foi sua ideia fazer parcerias com ele?

Na verdade, Julian toca guitarra. Uma vez, ele me pediu para tocar algo que tinha composto e eu fiquei boquiaberto. Tinha muita energia, pegada. Ele gravou a música uma única vez no estúdio, e quando eu mostrei para o produtor ele perguntou quem era. Quando eu disse quem era, ele falou: "Essa música tem de estar no álbum!" Tem ainda o grupo Funk Brothers e Matt Cameron na bateria.

O disco tem rock pesado e também uma homenagem à Motown, que é a fábrica de música negra americana.

Acredito que parte do meu DNA musical é originário desse tipo de música da Motown, assim como quase todo mundo. Aqueles artistas criaram um novo universo musical, e ele se tornou fundamental para todo mundo. Quando pensei em gravar algo em homenagem a eles, cheguei a essa composição, Invisible Man, que celebra meu prazer como ouvinte daquele tipo de música. E que conta com os Funk Bros na gravação, uma honra.

E quanto ao Brasil, quais suas memórias de tocar por aqui?

Tenho belas lembranças. Curioso que nós sempre tivemos grandes plateias no Brasil, mesmo após muito tempo sem tocar aí. Da última vez, fizemos shows incríveis, como se sempre estivéssemos na área. Vai ser outra grande temporada.

PETER FRAMPTON

THANK YOU MR. CHURCHILL

New Door Records

Preço: US$ 10

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