Peruana Ety Fefer abre exposição 'Los Grumildos' em SP

Difícil definir o que são "Los Grumildos" - objeto da exposição que o Sesc Pompeia, em São Paulo, apresenta a partir de hoje. Não é errado dizer que são pequenos bonecos. Criaturas - com não mais do que 30 cm -, a combinar feições humanas com traços de animais. Também cabe ressaltar que carregam, ao mesmo tempo, algo entre divertido e sórdido, pornográfico e ingênuo. Um quê de grotesco e delicado. Mas todos esses adjetivos e explicações soam demasiadamente imprecisos na hora de descrevê-los.

AE, Agência Estado

11 de janeiro de 2011 | 09h35

"Los Grumildos" foram criados pela peruana Ety Fefer. Uma conversa com a artista, porém, é de pouca valia na tarefa de elucidar qual é, afinal, a natureza desses seres imaginários. No Brasil desde a última sexta-feira, Ety fala dos Grumildos com a naturalidade de quem os conhece desde a infância. "Eles existem desde sempre", diz ela, sem saber ao certo quando e como surgiu a inspiração para as marionetes que já rodaram o mundo.

Se examinarmos as poucas pistas que Ety nos oferece, dá para dizer que os Grumildos saíram dos desenhos que seu pai fazia quando ela ainda era uma menina. Rabiscos de monstrinhos que ele traçava nos papéis que cobriam as mesas dos restaurantes de Lima. "Ficava encantada com esses desenhos. E os batizei com esse nome. Mas os meus Grumildos foram se tornando muito diferentes dos dele."

Feitos de plasticina - uma massa de modelar que lembra a argila -, os bonecos são acoplados a motorzinhos e movimentam-se de maneira independente. Estudado de maneira minuciosa, cada gesto entrega laivos da personalidade desses seres.

Distribuídos em grupos, eles são apresentados em vitrines. Paisagens que lembram o submundo de qualquer grande cidade: Um bar decadente. Quartos de bordel. Ruas sujas e baldias. No passeio por essa exposição, o espectador é transformado em voyeur. Vislumbra cenas de lascívia, entrevê um amontoado de aberrações. Tem a sensação de percorrer um daqueles antigos circos de horrores, onde se exibiam monstruosidades. Ou de mirar a si mesmo em um espelho distorcido. O trajeto por esse mundo estranho, ela diz, pode durar cinco minutos ou duas horas. Mas será sempre embalado por temas de jazz ou canções de Kurt Weill. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Los Grumildos - Sesc Pompeia. Área de Convivência. Rua Clélia, 93, telefone (011) 3871-7700. 12 h/21 h (dom., 12 h/ 20 h; fecha 2ª). Grátis. Até 6/2.

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