Personalidades lamentam a morte do arquiteto Oscar Niemeyer

Políticos, artistas e amigos relembram o criador de Brasília

O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2012 | 23h18

Maior ícone da arquitetura brasileira morreu nesta quarta-feira, dia 5, por conta de uma infecção respiratória, de acordo com a equipe médica do hospital Samaritano. Veja a repercussão:

Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados: "O Brasil perde o arquiteto de sonhos. É um orgulho trabalhar na obra preferida de Niemeyer em Brasília, como ele afirmara diversas vezes. Solução simples e monumental para o edifício projetado para os grandes debates nacionais, o que, de fato, acontece. Mesmo nos anos difíceis da década de 1970, exilado, Niemeyer desenhou a reforma do plenário, do prédio principal e um anexo, elo que a Câmara dos Deputados nunca perdeu e sempre respeitou. Lamentamos a morte e o fim deste contato permanente."

Aécio Neves, senador (PSDB-MG): "Perdemos um dos mais importantes brasileiros de nossa história. Não há outras palavras para defini-lo: Niemeyer era simplesmente genial, talento puro, ousadia e inquietude e também inspiração permanente. No seu trabalho encontramos uma densa brasilidade, expressa pelo movimento, pelas curvas e a fortíssima presença do inédito, do inusitado em contraponto aos padrões e ao óbvio. A sua obra tem o exato tamanho do autor, que teve uma trajetória exemplar, sempre coerente com suas ideias e convicções. Sempre ao lado do Brasil e dos brasileiros."

José Sarney, presidente do Senado: "Oscar Niemeyer marca um tempo da história do Brasil. Oscar foi o maior artista brasileiro, um personagem extraordinário, uma pessoa humana excepcional. Sua personalidade tem duas faces principais. A primeira é a sua coerência de artista, com uma obra que se afirmou na beleza, na busca constante do que ele chamava de invenção. Essa visão que descobriu no Palácio dos Doges, em Veneza, os princípios construtivos explorados no limite das possibilidades, que permitiu que fizesse os maiores vãos que a arquitetura conhece e, ao mesmo tempo, conseguisse a completa intimidade da Casa das Canoas, essa obra prima de integração com a natureza. O respeito e a espontaneidade do traço, estabelecendo um sentimento permanente do novo. O outro aspecto foi sua coerência humana. Jovem ainda, optou por se dedicar ao socialismo, a mais generosa das opções da história da política. Foi comunista, enquanto existiu o Partido Comunista; continuou comunista, depois que desapareceu o Partido Comunista. Sua crença na necessidade de uma solidariedade absoluta, sua dedicação à amizade e à vida foram uma das grandes lições de nosso tempo. Tive o privilégio de conviver com Oscar Niemeyer. Presidente da República, chamei-o de volta a Brasília, onde recriamos o Conselho de Arquitetura e Urbanismo, e fizemos várias obras. Se a arte brasileira tem seu reconhecimento internacional, é na extraordinária presença que Oscar Niemeyer deixa no mundo inteiro, com o seu gênio e sua capacidade de invenção e de reinvenção a qualquer tempo."

Marco Aurélio Mello, ministro do STF: "O reconhecimento do trabalho que ele desenvolveu, colaborando para o crescimento cultural, está em Brasília e em outras obras, inclusive no cenário internacional." Perguntado se a sessão desta quinta do STF será cancelada por causa da morte de Niemeyer, Marco Aurélio disse que não. "Precisamos trabalhar até em homenagem a ele."

Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro: "Um homem de convicções claras, que serviu ao seu país com os dons que tinha. Deixou marcas na arquitetura mundial. Colocou seu gênio criativo a serviço do belo, também na construção de templos. Um exemplo de respeito pelo pluralismo. Rezarei para que encontre a fonte da beleza que o ilumine. Paz!"

Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro: "Oscar Niemeyer foi o maior arquiteto do Brasil. Um gênio da arquitetura mundial. Doce no trato, firme nas suas convicções e amado pelo povo brasileiro."

Ferreira Gullar, poeta, amigo de Niemeyer desde 1955: "Oscar foi meu amigo durante muitos anos. Além da admiração, eu tinha por ele um grande carinho. Era uma pessoa afetuosa e de grande fidelidade aos amigos. Oscar foi uma das figuras mais significativas da vida cultural brasileira. Não foi só um grande arquiteto, mas mudou a arquitetura. Foi um dos herdeiros dessa arquitetura surgida no fim do século 19, início do século 20, que se caracterizava pelas linhas e ângulos retos, uma reação à tradição do barroco, da coisa rebuscada. Oscar foi herdeiro essa arquitetura, dessa racionalidade, manteve a nitidez das formas, mas introduziu a forma curva, poética, inventiva. Ele mudou a linguagem da arquitetura e a partir daí influenciou seu próprio mestre, Le Corbusier. O Palácio Capanema tinha o desenho original de Le Corbusier e Oscar fazia parte do grupo de jovens arquitetos que se encarregou do desenvolvimento do projeto. Num determinado momento, Oscar pegou um pedaço de papel e redesenhou a fachada. Lúcio Costa viu e disse "essa é a forma correta". O prédio ganhou uma leveza que não tinha. E o prédio da ONU é um projeto de Oscar, o projeto de Le Corbusier tinha sido rejeitado. Mas o projeto final apareceu como sendo de Oscar e Le Corbusier. Como Le Corbusier era mais conhecido, ficou como se fosse dele. Oscar contava que uma vez, em Paris, Le Corbusier o convidou para almoçar e disse "Oscar, você é um sujeito generoso". Esse era o Oscar. Ele contava essas histórias, rindo. São histórias que ouvi dele. Tinha essa generosidade, dividia com os outros o que ele fazia. Era um amigo, uma pessoa cheia de afeto e um dos maiores arquitetos do mundo."

Maria Prestes, viúva do líder comunista Luís Carlos Prestes: "O Brasil perde um arquiteto, um comunista, um projetista, um homem que sempre se dedicou aos problemas sociais do País. Era muito amigo nosso, sempre foi muito solidário. Nos o visitamos no escritório dele. Depois, quando Prestes ficou doente, veio muitas vezes nos visitar. Devemos muito a Oscar Niemeyer. Quando chegamos ao Brasil, com a anistia, ele nos doou o apartamento, este onde moro até hoje, na Gávea (zona sul do Rio). Nos deu de presente. Era um homem muito solidário e muito convicto de suas ideias."

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