Personalidades dão adeus ao 'Senhor dos Palcos'

O ator e diretor teatral Paulo Autran, morto nesta sexta-feira, 12, aos 85 anos, em decorrência de um enfisema pulmonar, fará muita falta, segundo personalidades.   Veja também: Paulo Autran: uma vida dedicada ao teatro Ouça a homenagem da Rádio Eldorado ao ator Paulo Autran Em entrevista, Autran lamenta fim da carreira Imagens do livro 'Paulo Autran - Sem Comentários' Web guarda grandes momentos do 'Senhor dos Palcos'     Veja, abaixo, declarações de colegas do eterno "Senhor dos Palcos":   Marília Pêra (atriz): " Minha última visita ao Paulo foi há cerca de um mês e meio. Ele já tinha tido o enfarte, mas ainda pensava em voltar ao palco para seguir com a temporada do ""Avarento. Quando me despedi, o beijei e tive a sensação de que aquela poderia ser a última vez que o via. A minha história com o Paulo começou quando eu era muito novinha. Aos 18 anos fui bailarina no musical ""My Fair Lady, com o Paulo e a Bibi Ferreira. Ele sempre gostou muito de mim. Eu prestigiava as estréias dele e o Paulo as minhas. Estou muito triste."   Sérgio Brito (ator): "A última vez que eu vi Paulo foi no início do ano. Ele parecia estar sofrendo. E quando o sofrimento é maior do que a vida, é hora de deixar o corpo descansar. Paulo tinha um grande amor pelo teatro. Tanto que fazia O Avarento, aos 85 anos. Quem tem amor ao teatro tem amor à vida. Esse drama que eu senti nos olhos dele foi a luta entre a vontade de viver e a luta contra o câncer. Adorava vê-lo no palco fazendo comédia. Lembro dele numa cena de Uma certa cabana. Ele sentado de cuecas, mas elegantérrimo, com uma taça de bebida na mão. Ele era um ator tão fantástico que não se fixava em nenhum gênero. Estava maravilhoso em Terra em transe, em Rei Lear, na novela Guerra dos sexos."   Bete Mendes (atriz): "Nunca tive a felicidade de trabalhar com o Paulo. Fiz aula de canto e impostação de voz com ele e éramos amigos. Lamento muito esta perda, é uma perda muito grande para o Brasil."   Marcus Caruso (ator): "É uma tragédia para o teatro, no sentido de ter perdido o maior de nossos atores. Paulo é o norte de todos nós, um homem que transmitia em suas interpretações a paixão que temos de ter pelo teatro. Era um homem estudioso até o último minuto, que aos 85 anos sentia frio na barriga antes de entrar em cena. Ele tinha uma galeria de personagens invejável, passou por todos os gêneros, não permitindo que sua personalidade se sobrepusesse ao personagem. O personagem estava em primeiro lugar."   Domingos Oliveira (dramaturgo): "Nunca mais o teatro brasileiro será o mesmo. Um artista como o Paulo é único e insubstituível. Era um ótimo sujeito. Não tive o prazer de trabalhar com ele, mas é como se tivesse trabalhado, porque queria muito bem a ele. Era uma pessoa transparente, honesta. Pessoas como ele deveriam ser imortais."   Hector Babenco (cineasta e diretor de O Passado, último filme em que Paulo Autran atuou): "Como todo bom guerreiro, ele não cedeu. Continuou fumando seu cigarrinho, continuou suas leituras, continuou fiel a seus princípios e à sua paixão de atuar. Até quis voltar ao palco há pouco tempo, mas foi o Dráuzio (Varela) que não o deixou. Mas fica o retrato de um ator em seu esplendor, sempre buscando retratar o belo, buscando o gesto perfeito. O único detalhe que me entristece é que, quando um diretor se vai, ficam os filmes; quando um escritor se vai, ficam os livros. Quando um ator morre, seu trabalho nos palcos não fica para as novas gerações. Eu tenho o privilégio de poder deixar como seu último trabalho no cinema este pequeno personagem. Eu queria muito ter o Paulo no meu filme (O Passado, que estréia no dia 26), mas não havia papel para ele. E disse isso: Paulo, só há pontas. E ele me respondeu: 'Um figurante pode também ser um personagem se quiser.' E me provou isso. Transformou o filólogo, que vai dar uma palestra no filme, um personagem que fica em cena por apenas cinco minutos, em uma figura marcante e divertida. Um verdadeiro personagem de Jacques Tatit. Paulo sempre me surpreendeu. Sempre sabia tudo. Eu começava a declamar uma poesia. Ele a sabia inteira. Eu fazia uma pergunta. Ele respondia com maestria e humildade. Jamais vou esquecer a primeira vez que o vi. Eu tinha acabado de chegar em São Paulo. Tinha 18 anos e fui ver uma peça de Arthur Miller no teatro Maria Della Costa. E lá estava ele no palco. Inesquecível"   Cao Hamburger (diretor de O Ano em que meus Pais Saíram de Férias, o indicado do Brasil a uma vaga ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro): "Apesar do contato com ele não ter sido longo, foi muito marcante. Ele fez praticamente uma participação especial em O Ano em que meus Pais Saíram de Férias. Mas foi de fato especial. Foi um papel pequeno, mas simbólico e marcante. E ele entendeu isso desde o primeiro momento. Conversamos muito sobre o roteiro. Ele sempre esteve muito interessado no processo todo. Qualquer ator poderia chegar no set, fazer seu papel e sair. Ele não. Ele não era qualquer um. E fez toda a diferença. E o resultado é este. Apesar de breve, é uma das presenças mais lembradas por quem assiste ao filme. A última vez que o vi, foi na semana passada na entrega do Prêmio Bravo. E eu me emocionei ao vê-lo dizer que nunca tinha vontade de chorar quando ganhava um prêmio, mas que naquele dia ele choraria porque 'já estava indo'. Inesquecível."   Vaz de Lima (deputado estadual pelo PSDB e presidente da Assembléia de São Paulo): "Lamento profundamente a morte do ator Paulo Autran. O Brasil perde um dos seus maiores atores, que, com o seu talento, emocionou, encantou e fez rir várias gerações de brasileiro."   Waldir Agnello (deputado estadual pelo PTB e presidente em exercício da Assembléia Legislativa de São Paulo): "O Brasil está de luto com a morte de Paulo Autran. Um dos mais versáteis e talentosos atores do nosso País, Autran fez história no teatro, cinema e, também, na televisão."   Matéria ampliada às 19h45

12 Outubro 2007 | 18h33

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