'Personagem precisa ser maior que a vida', diz Aguinaldo Silva

Além da luta para permanecer no ar e angariar audiência, poucas novelas conseguem ter sobrevida. Um exemplo atual é o filme Crô, em cartaz desde 29 de novembro. O longa é um spin-off da vida de Crodoaldo Valério, mordomo interpretado por Marcelo Serrado em Fina Estampa, exibida entre 2011 e 2012, na Globo. Ambos foram escritos por Aguinaldo Silva.

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2013 | 02h11

Apesar de não ser o protagonista da trama, Crô agradou ao público e foi ganhando destaque. No filme, após herdar a fortuna de Tereza Cristina (Christiane Torloni), ele procura uma nova patroa para servir. Segundo o autor, que já adaptou para o cinema a história de Giovanni Improtta, bicheiro de Senhora do Destino (2004) vivido por José Wilker, o personagem tem de chamar a atenção para além da trama na qual está inserido. "Ele precisa ser maior que a vida, ou seja, maior que a novela da qual fazia parte."

Ele, porém, garante não escrever tramas pensando em qual personagem pode ter desdobramentos fora da TV. "Nunca. Quando começo uma novela só penso numa coisa: a novela. Todo o resto, inclusive minha vida pessoal, é esquecida. Agora mesmo estou às voltas com um seriado, Doctor Pri, que será estrelado por Glória Pires, e já pensando em minha novela, que estreia em agosto, logo após a Copa. Quando acabar o seriado, aí é novela e só novela."

Aguinaldo ainda não divulgou o nome de sua próxima trama. Ele avisa que ela não terá um ritmo mais acelerado. "Minhas histórias são muito pensadas antes que eu comece a escrever capítulos. Minhas novelas têm começo, meio e fim, e nelas, cada revelação tem sua hora certa. Com o excesso de revelações e falsas reviravoltas, a novela roda, roda, roda e, feito um peru bêbado, volta ao mesmo lugar. Não fazem o meu gênero. Ou a história é boa e se sustenta sem truques, ou eu trato de arquivá-la e invento outra", disse ao Estado por e-mail.

Para ele, o segredo para o sucesso de uma novela é não repetir elementos de tramas anteriores. "Uma boa história com um mínimo de originalidade, para que o telespectador não fique se dizendo: 'acho que já vi isso em algum lugar'. Nos últimos tempos, pelo menos no horário das 21 horas, tivemos excelentes novelas", elogia.

O novelista dá a dica do que considera ruim para manter a atenção do telespectador por meses no ar. "Há um recurso que eu não usaria, não porque tenha caído em desuso, mas porque, pela facilidade, eu sempre detestei: o quem matou."

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