Perseguições e censura só serviram para popularizá-lo

Duas razões contribuíram para aumentar consideravelmente o sucesso de Beetle Bailey, ou Recruta Zero. Primeiro, era publicado diariamente no jornal das Forças Armadas, distribuído em setores avançados, como a Otan, e outros pontos do planeta. Algum responsável, ou irresponsável, achou que a tira ridicularizava o Exército e cancelou a continuidade. Grita geral. Protestos. Os leitores nos States passaram a recortar as tiras dos jornais locais e a mandar para seus garotos no front.

Artigo, ALVARO DE MOYA, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2010 | 00h00

Mort Walker, satisfeito com o impacto de sua obra, declarou que aquela havia sido a melhor coisa que o Exército lhe tinha feito desde sua desmobilização como soldado.

O segundo motivo foi que as feministas iniciaram mais tarde uma campanha contra a tira, acusando-a de sexista, pelo assédio contínuo do General Dureza à secretária sexy Dona Tetê. A tira passou a ter uma censura interna na distribuidora. Quando o tema era "controverso", o desenhista mandava antes um esboço a lápis para ser aprovado. Com humor, Walker fez concessões, mas registrou a barbaridade em cartazes (que estão na exposição do Sesc) que mostra Dona Tetê em situações diversas, como por exemplo "dublando" o cartaz do filme Beleza Americana.

ÁLVARO DE MOYA É ENSAÍSTA, PROF. E AUTOR DE HISTÓRIA DA HISTÓRIA EM QUADRINHOS (1993)

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