Perseguição no fundo do mar

CAÇADA AO OUTUBRO VERMELHO (Hunt for Red October). No TCM, às 19h25. Reprise, colorido, 135 min

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h08

Com O Predador e Duro de Matar, em 1987 e 88, o diretor John McTiernan reformulou o cinema de ação e deu início a duas das séries mais bem sucedidas da história de Hollywood. Na sequência, em 1990, surgiu Caçada ao Outubro Vermelho, outro grande filme de ação. Como James Cameron mais tarde - Titanic -, McTiernan parecia ser o rei do mundo.

Outubro Vermelho baseia-se no best seller de John Clancy. Sean Connery, os cabelos impressionantemente grisalhos, um brilho de ironia nos olhos, faz o comandante soviético do submarino do título. Em plena rodagem do filme, houve a queda do Muro de Berlim, que levou ao colapso do império soviético. A derrocada surgiu na sequência do processo de glasnost (transparência) iniciado por Mikhail Gorbatchev.

Na ficção de Clancy e McTiernan, Connery pode estar, ou não, desertando para o Ocidente. Mas pode ser também que ele esteja pronto para desfechar um ataque na costa norte-americana, dando início à guerra entre as (super)potências. É como um jogo de xadrez, ou uma caçada de gato e rato, no fundo do mar.

O alto comando militar dos EUA convoca um especialista, um certo Jack Ryan, interpretado por Alec Baldwin. Em princípio, ele sabe tudo sobre o personagem de Connery e passa a interpretar cada um de seus movimentos, tentando antecipar o que fará. Clancy, e McTiernan, inventaram um novo tipo de ação. Cenas submarinas muitas vezes produzem confusão. Aqui, a ação que interessa é mental e o diálogo conta tanto quanto os movimentos reais.

Jack Ryan terminou virando um personagem emblemático da ação dos anos 1990, mas aí o ator já era outro - Harrison Ford, em filmes como Jogos Patrióticos e Perigo Real e Imediato, de Phillip Noyce. E tudo começou com A Caçada ao Outubro Vermelho. É um belo filme que vale (re)ver. Complexidades, sutilezas - e ação para ninguém botar defeito. No centro de tudo, soberano, Sean Connery e a carga que sua persona como eterno 007 traz para o cinema de espionagem.

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