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Acervo Estadão
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Perícia inicial vê masters em bom estado

Começou ontem a análise dos três principais discos de João Gilberto

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2013 | 02h16

A perícia nas fitas masters dos três principais discos de João Gilberto, Chega de Saudade (1959), O Amor, o Sorriso e a Flor (1960) e João Gilberto (1961), além do compacto João Gilberto Cantando as Músicas do Filme Orfeu do Carnaval (1961), começaram a ser realizadas na tarde de ontem pelo produtor Marco Mazzola, no Rio de Janeiro. A avaliação técnica do material foi uma determinação da Justiça do Rio para atestar o estado das obras, já que João afirmava que sua gravadora poderia ter abandonado as gravações e mesmo entregue a ele cópias, e não as versões originais de seus discos.

Ainda sem um laudo conclusivo, que só deve ficar pronto na semana que vem, uma fonte que teve acesso à perícia inicial informou ao Estado que as primeiras audições apontaram que as fitas não são cópias e que não estão em estado crítico de conservação.

O perito Marco Mazzola, procurado pela reportagem, não foi localizado. Sua secretária informou que ele estava incomunicável em Guaratiba, no Rio de Janeiro, cuidando da produção das apresentações que serão feitas para o Papa Francisco. Mazzola foi também quem produziu o disco oficial para a Jornada Mundial da Juventude. Já sua assessoria de imprensa disse que o produtor não pode se pronunciar até que o trabalho termine, uma vez que é obrigado a cumprir um acordo de confidencialidade. Nem os advogados das partes puderam acompanhar seus trabalhos no estúdio.

Se a originalidade e o bom estado das masters for confirmado, a gravadora EMI ganha um argumento de peso. Seu advogado Raphael Miranda já defendeu a empresa dizendo que João criou uma "cortina de fumaça" ao dizer que a gravadora havia estragado suas gravações, e até mesmo desaparecido com elas. Na visão da gravadora, João usa esse argumento para ganhar na Justiça a posse de um material que pertence à EMI, já que a gravadora pagou pelas masters quando eles foram gravados nos anos 1960. A posse das masters nada tem a ver com os direitos autorais das obras. "Ele quer dinheiro. Esse homem não é confiável", disse Miranda em recente entrevista ao Estado.

Se por um lado pode perder a força de seus argumentos, João também deverá respirar aliviado se o resultado da perícia mostrar que seu material segue em boas condições. A briga que ele sustenta na Justiça desde 1987 contra a EMI é justamente pela posse desses originais e para que seja permitido a ele o relançamento de seus discos quando bem entender, algo que não acontece hoje uma vez que divide esta decisão com a EMI.

Daniel Dantas. A gravadora deve usar em sua defesa o fato de João estar associado ao banqueiro Daniel Dantas, de quem já teria recebido R$ 10 milhões adiantados em troca de parte de uma indenização (de R$ 1,2 milhão, segundo cálculos da gravadora) que a EMI deverá pagar a João se esta determinação da Justiça se mantiver em última instância. Dantas também está de olho nos discos periciados por Mazzola, já que, como parte do trato, caberá a ele 60% dos direitos autorais destas obras.

Ao ler as colocações de Raphael Miranda publicadas no Estado na semana passada, a assessoria do Banco Opportunity, de Dantas, respondeu com uma nota: "Depois de se apropriar por 40 anos de valores que estava obrigada a pagar a João Gilberto, só resta à EMI utilizar as páginas dos jornais para atacar a honra de João Gilberto. Não faz sentido dizer que João Gilberto está apenas atrás de dinheiro, quando ele ficou mais de 40 anos sem receber qualquer centavo da gravadora. Os abusos cometidos pela EMI não ficarão impunes".

TRÊS NOTAS

1987

A EMI lança coletânea que reúne três LPs de João e o compacto João Gilberto Cantando as Músicas do Filme Orfeu do Carnaval. Músico afirma que gravadora fez isso sem sua autorização e que adulterou as gravações.

2011

A Justiça decide que a EMI deve pagar uma indenização por danos morais a João Gilberto, por considerar que não se tratava de dano moral comum, mas ofensa ao direito moral do autor. O caso segue em instâncias superiores.

2013

A 2ª Vara Civil do Rio obriga a EMI a devolver as matrizes dos LPs ao artista. João acerta sociedade com o banqueiro Daniel Dantas, de quem recebeu R$ 10 milhões em troca de parte da indenização a ser paga pela EMI.1987

A EMI lança coletânea que reúne três LPs de João e o compacto João Gilberto Cantando as Músicas do Filme Orfeu do Carnaval. Músico afirma que gravadora fez isso sem sua autorização e que adulterou as gravações.

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