Performance exemplar em concertos raros

THEO BLECKMANN

O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2012 | 03h09

HELLO EARTH

Gravadora: Winter&Winter

Preço médio: US$ 11

EXCELENTE

A EMI fez com a cantora e compositora pop Kate Bush, em 1974, quando ela estava com 16 anos, o mesmo que os grandes clubes europeus fazem com as promessas brasileiras adolescentes no futebol: contratou-a prevendo seu potencial. Estava certa. Desde 1978, quando lançou sua primeira gravação, Bush revelou-se uma criadora musical diferenciada. Basta ouvir - e prestar atenção nas letras - alguns de seus clássicos dos anos 80, como Army Dreamers ou Cloudbusting. Pois agora, 34 anos depois, ela recebe um magnífico tributo do cantor Theo Bleckmann. Aos 45 anos, este alemão de Dortmund radicado em Nova York, que já trabalhou entre outros com Laurie Anderson, Meredith Monk, John Zorn e Philip Glass, "viaja" pelo songbook da estrela pop inglesa utilizando recursos da música eletroacústica (em Under Ice). Mantém um swing irônico na antológica Army Dreamers, sobre os soldados trazendo de volta o cadáver do filho morto na guerra. O timbre específico de sua voz, o refinamento da música contemporânea e parceiros extraordinários como John Hollenbeck em arranjos surpreendentes completam esta incrível "viagem". /J.M.C.

TALKING HEADS

CHRONOLOGY

Preço médio: R$ 40

ST2 Video

BOM

Traçar um cronograma da evolução do Talking Heads através de apresentações ao vivo é o intuito do DVD Talking Heads Chronology, lançado no Brasil recentemente pela ST2 Video. Tratando-se de uma das grandes bandas dos anos 70 e 80 (certamente uma das de influência mais duradoura) não há muito a ser analisado, apenas apreciado. Como mostram em uma versão ainda a ser lapidada de Psycho Killer, tocada no CBGBs, em 1975, o Talking Heads teria entrado para a história mesmo antes de gravar o primeiro disco. A enxutíssima combinação de melodias inquietas com punk e funk já se destacava como uma estética visionária quando David Byrne (foto), Chris Frantz e Tina Weymouth ainda abriam para os Ramones. O balanço esparso e disciplinado, de organização quase obsessiva compulsiva, praticado pela banda já nessa época consta entre as maravilhas do rock. É sem dúvida ouvido até hoje em dezenas de bandas indie, de Franz Ferdinand a Dirty Projectors. Com a ascensão do grupo, o suingue se desenvolve: o recatado Byrne (vide a entrevista dos extras) incrementa a banda, mistura afrobeat e lapida sua receita de disco punk autoral à perfeição. Uma história já conhecida, mas bem ilustrada ao vivo. / R.N.

DAVID AARON

CARPENTER

VIOLA CONCERTOS

Gravadora: Ondine

Preço médio: R$ 50

BOM

Historicamente, a viola tem um diminuto repertório concertante. Por isso, é importante quando um musicólogo descobre um pacote de três concertos inéditos para o instrumento. Pesquisando na célebre editora Breitkopf & Härtel, o sueco Vertil van Boer encontrou manuscritos autógrafos destes concertos. E eles agora chegam pela primeira vez ao disco. O compositor é o alemão Joseph Martin Kraus, que nasceu no mesmo ano de Mozart, 1756, e morreu um ano depois do autor da Flauta Mágica, em 1792. Ele viveu seus últimos quinze anos em Estocolmo, onde foi mestre de capela do rei Gustavo III, quando já desfrutava de enorme conceito em toda a Europa (Haydn o chamou de "gênio" e o colocou no mesmo patamar de Mozart, imaginem). Dos três, o mais interessante é sem dúvida o primeiro, composto em sol maior. Apesar de só qualificar a viola como solista no título, a obra de fato é um concerto duplo, para viola e violoncelo. Os intérpretes são o violoncelista nova-iorquino David Aaron Carpenter, que tocou há cerca de um mês, com a Osesp na Sala São Paulo, o concerto do russo Alfred Shnittke (regência de Roberto Tibiriçá), e a cellista Riitta Pesola, acompanhados pela Tapiola Sinfonietta. Uma performance exemplar de música redondíssima para os ouvidos. / JOÃO MARCOS COELHO

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