Penúltimo dia de Fashion Rio traz felinos e caixa de pandora

Desfile da grife ADPAC foi o mais conceitual do dia: estilista Adriana Pacheco inspirou-se em seu gato, Mafaldo

Clarissa Thomé e Roberta Pennafort, de O Estado de S. Paulo,

11 de janeiro de 2008 | 19h49

A tarde desta sexta-feira, 11, penúltimo dia de Fashion Rio começou com a apresentação de seis dos 12 selecionados da oitava edição do prêmio Rio Moda Hype. Eles foram escolhidos entre mais de 320 inscritos no concurso e desfilam em duas etapas - a segunda ocorre na tarde de sábado, 12. Veja também:  Galeria de fotos do Fashion Rio   O desfile que encerrou o Moda Hype foi o mais conceitual de todos. A grife ADPAC, de Adriana Pacheco, ficou marcado por performance da equipe Tobu do esporte Le Porkour (em que os participantes ultrapassam obstáculos urbanos). Os rapazes representavam os felinos da noite, numa coleção inspirada no gato da estilista, Mafaldo. A surpresa ficou para o fim, quando o modelo Sidney Foster, de 19 anos, deu saltos e cambalhotas no ar e galgou os obstáculos - na verdade, o rapaz é um dos atletas do Tobu. "Treino Le Parkour há um ano. Comecei porque queria desafios, adrenalina. A carreira de modelo é que é novidade", disse.  Melca Janebro montou um quebra-cabeça de recordações - brincadeiras da infância, cheiro da brisa do mar, um bom vinho. Apresentou 11 looks - vestidos amplos em tons de uva, detalhes em xadrez azul, verde e preto, macaquinho ocre, casacos de modelo casulo (espécie de balonê preso no barrado) e sobreposições. Foi das mais aplaudidas.  Fernanda Yamamoto abriu a caixa de Pandora, com moda toda em preto, cinza, e verde, representando a "nuvem negra que sai da caixa" e aos poucos clareia. Tecidos como lã, brim, malhas e chiffons se sobrepõem. As formas são justas.  Renata Veras, sobrinha do estilista Amaury Veras, morto em 2004, inspirou-se na vida do cantor inglês Elton John. Calças justíssimas, blusas idem, além de curtas. Num dos looks, calça rosa colada e casaco de matelassê com cristais swarovski. Para finalizar, uma saia curtíssima, para lá de ousada.  Noemy Gesteira apostou em efeitos geométricos e na reconstrução na coleção Ideograma - algumas das peças foram retiradas de brechó e tomaram outras formas. A paranaense Stefania Rosa, radicada em Brasília, misturou a caliandra (flor vermelha do cerrado) com o concreto armado da capital federal. Fez bonita coleção em "branco concreto, negro das queimadas e vermelho da flor".   A AcquaStudio, de Esther Bauman, fez uma coleção para ser usada em "festas em qualquer horário". O destaque ficou para a linda estampa de pingos de pincéis pintados a mão usados em vários modelos: longo tomara que caia, alfaiataria, longo com transparências, vestido na altura do joelho. Mas a estilista também apostou no dourado, preto, verdes (alecrim e wasabi) e azuis. Completando o look, estilosos chapéus e lenços. Graça Ottoni A mineira Graça Ottoni fez um desfile na linha "black total" no início da noite desta sexta. Na passarela, uma profusão de vestidos de festa negros como a noite. Pretinhos nada básicos, transparentes e sugestivos - no estilo lingerie, regata, de alcinha, com amarração na cintura... Monótono? Talvez. Sem dúvida, elegante.  "Nesta coleção eu não tinha um tema definido. Foquei em mulheres cultas, criativas, apaixonadas, sedutoras", diz a estilista, conhecida por seus bordados e estampas bem cuidados. Graça acertou em cheio nas peças em que combinou ouro velho e preto em rendas. Ponto, também, para os modelos com brilhos nas laterais e na gola - figurinos para uma noite de inverno tropical a dois, como sugeria a trilha sonora ("Besame Mucho", "Dois pra lá, dois pra cá", e por aí vai). Tons mais claros também apareceram aqui e acolá, em blusas de cetim e vestidos de crepe Georgette.

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