Pensando na criança que ele foi

Baiano de Salvador, Lázaro Ramos nasceu em novembro de 1978. Aos 17 anos e já tendo passado pelo Bando de Teatro Olodum, fez sua estreia como ator de cinema em Jenipapo, de Monique Gardenberg. Sete anos depois, o papel de João Francisco dos Santos em Madame Satã, de Karim Aïnouz, confirmou que era uma das personalidades mais carismáticas de sua geração - e um dos atores que, com Selton Mello, Matheus Nachtergaele e Wagner Moura, deram rosto ao cinema da Retomada.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2010 | 00h00

Nos últimos anos, a carreira no cinema e na TV diminuiu a atividade no teatro, mas Lázaro, ao mesmo tempo que multiplicava êxitos pessoais - O Foguinho da novela Cobras e Lagartos, o Roque da série Ó Paí Ó, retomada do personagem que havia feito no teatro, com o Olodum -, diversificava seus interesses. Dirigiu o documentário Zózimo Bulbul, dirige e apresenta o programa Espelho, no Canal Brasil, virou um dos embaixadores brasileiros da Unicef e agora lança seu primeiro livro infantil pela editora Uirapuru, com ilustrações da Quitanda Design. Para o autor, A Velha Sentada incentiva o autoconhecimento e o respeito pelo outro.

O bullying, a viagem em busca de si mesma, a fixação no computador, tudo sinaliza que a história de Edith, afinal de contas, tem a ver com o aqui e agora. Durante o processo, ela aprende o que é pen drive, o que são neurônios, participa de chats, pesquisa no Google. Lázaro diz que não se interessava pelas histórias que era forçado a ler quando criança. Pensando na criança que foi, ele propõe um jogo lúdico não apenas sobre a moderna tecnologia e seu efeito sobre a infância - ao se desligar da velha sentada, Edith descobre como ser bonita, do jeitinho que é -, mas também sobre o tempo.

"O tempo é muito lento para quem espera/Muito rápido para quem tem medo/Muito longo para quem lamenta/Muito breve para quem festeja/Mas, para quem ama, o tempo é eterno." Está aí resumido o sentido de seu belo livro.

A VELHA SENTADA

Autor: Lázaro Ramos. Editora: Uirapuru (48 páginas, R$ 32,50).

Lançamento: Biblioteca de São Paulo. Av. Cruzeiro do Sul, 2.630, 2089-0800. Hoje, 13h30.

Livraria Saraiva Megastore Center Norte. Travessa Casalbuono, 120, 2252-2110. Hoje, 17 h.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.