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Penguin compra parte da Companhia das Letras

Com a nova formação societária, editora brasileira ganha força para atuar no lucrativo mercado de livros didáticos e no novato segmento de e-books

Maria Fernanda Rodrigues - O Estado de S. Paulo,

05 de dezembro de 2011 | 11h33

SÃO PAULO - Penguin é a mais nova sócia da Companhia das Letras e passa a ter 45% das ações da editora. Os outros 55% continuam com Luiz Schwarcz, o fundador, e com a família Moreira Salles.

"Estamos nos associando ao melhor e maior grupo editorial do mundo e isso vai abrir muitas portas para a Companhia das Letras", disse Schwarcz.

A Penguin é uma das editoras do grupo Pearson, já presente no Brasil no mercado de livros didáticos - é dona dos sistemas COC, Dom Bosco, Pueri Domus e Name. A expectativa é justamente ampliar a atuação da editora brasileira nesta lucrativa área que é de venda de livros para o Governo e para escolas particulares.

A área digital da Companhia das Letras também deve ser beneficiada pela associação e um dos incentivos será a inclusão de seus títulos na biblioteca digital da Pearson, usada por estudantes do ensino superior. Além disso, a experiência da Penguin na edição, venda e promoção de e-books pode ajudar a brasileira se destacar nesse mercado que ainda engatinha no País. Só no primeiro semestre de 2011, e mesmo com a crise econômica mundial, as vendas digitais da Penguin cresceram 128% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Hoje, e-books respondem por 14% do total das vendas da editora, que opera no Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, Irlanda, Nova Zelândia, África do Sul, Índia, China e agora no Brasil.

O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira, em São Paulo, e contou com a presença do CEO da Penguin, John Makinson. "Vemos o Brasil, a China e a Índia como importantes oportunidades de negócios para o grupo, mas não se trata de trazer a expertise da Penguin para o Brasil, que é um dos mais sofisticados mercados de edição e venda de livros", comentou. Ele encara a compra de parte das ações da Companhia das Letras como uma "evolução muito natural da parceria" das duas casas, que se dizem tão afinadas em suas linhas editorias e que criaram, em 2010, o selo Penguin-Companhia das Letras para a edição de obras clássicas.

Makinson revelou ainda que a Penguin nunca havia feito um investimento desse porte - os números, porém, não foram revelados, e que esta foi a primeira vez nos 76 anos da história da editora britânica que ela investe em um país que não fala inglês.

 

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