Pelo fim da divisão entre 'pobres e ricos'

"Quem está satisfeito com a atual situação dos direitos autorais no Brasil? Todo mundo concorda que é preciso mudar", disse Agnaldo Timóteo, 74 anos, 46 de carreira, um dos mais longevos cantores populares do País. A presença de Timóteo no debate do Itaú Cultural reafirmou um crescente interesse de todos os atores das artes nacionais pelo debate em torno da reforma dos direitos autorais.

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

21 Julho 2010 | 00h00

Timóteo interveio para pedir a palavra para o colega Luiz Ayrão, 68 anos e 42 de carreira, que fez um discurso contundente e afetivo: "Artistas famosos não vêm aos debates. Por quê? Se eles não vêm porque recebem muito, tudo bem, é compreensível, porque isso é justo, eles fazem muito e merecem. Mas não podem se colocar contra quem não recebe nada. Se o cidadão vê aqui um artista menos famoso a favor do projeto, vai dizer: mas quem é esse sujeito? Se ele é a favor, e Fulano é contra, eu também sou contra, porque Fulano é mais famoso. É preciso discutir."

Segundo Ayrão, há um senso comum segundo o qual um músico já deve se sentir bastante satisfeito por "bater numa caixa de fósforos na mesa de um bar e cantar uns sambas", e que não deve receber por isso. Para Timóteo e Ayrão, grande parte da responsabilidade pelo sucesso de um artista repousa na criatividade de compositores muitas vezes desconhecidos, e que não têm recebido o suficiente.

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