Pela primeira vez, uma humorista brasileira lança um álbum de comédia em inglês para americanos

Pela primeira vez, uma humorista brasileira lança um álbum de comédia em inglês para americanos

Em ‘Legal’, Carol Zoccoli fala sobre o Brasil e as diferenças com o Canadá, além de trazer casos sobre o seu cotidiano

Patrick Freitas, Especial para o Estadão

18 de janeiro de 2022 | 15h00

Nos Estados Unidos, rir ao redor do rádio ou da vitrola sempre foi uma tradição, que passou por mais de um século até chegar às plataformas digitais de hoje em dia. Ainda assim, nenhum brasileiro chegou a explorar este nicho que volta a estar em alta em terras americanas – até agora. A humorista Carol Zoccoli acaba de lançar um álbum totalmente em inglês voltado para o público de lá.

Com treze faixas, o álbum ‘Legal’ – no sentido da imigrante legalizada no país – já foi vendido para rádios de Toronto, no Canadá, local da gravação, além de estar em todas as plataformas de áudio. Mas como uma brasileira conseguiu entrar no tão concorrido espaço norte-americano e canadense, que traz nomes de peso como Jerry Seinfeld, Amy Schumer e Chris Rock?

Carol é formada em filosofia. “Em 2006, busquei um lugar onde é mais fácil ser pobre, porque é muito difícil ser pobre no Brasil”, afirma a humorista, em conversa com o Estadão. Nessa época, o governo canadense estava recrutando brasileiros para concessão de vistos de moradia. Porém, o visto de Carla só saiu em 2009 e, nesse meio tempo, ela descobriu a comédia, pois já estava em evidência ao ter participado de um concurso no CQC.

“Eu não sabia mais se eu queria ir porque nem inglês eu falava. Meu idioma era básico, daqueles de saber traduzir as músicas da Madonna. Lá, eu seria uma atendente de café, e aqui eu era comediante”, concluiu. Mas, em 2013, Carol perderia o visto se não fosse ao Canadá – e ela foi. Mudou-se para Toronto, onde se inscreveu em uma das maiores escolas de improviso do mundo, a Second City.

Ela também começou a frequentar os conhecidos “Open Mics’. “Imagina um porão, cheio de tudo quanto é tipo de gente... Lá, tem um microfone aberto e pode aparecer qualquer pessoa, até mendigos vão. Comecei nesses lugares e o meu inglês era realmente bem fraco. Passado um ano e meio, refleti que seria muito difícil ter uma carreira de comediante aqui, ainda mais sendo uma imigrante, mas é possível. Então, continuei”, finalizou.

E deu certo. Carol começou a se apresentar em clubes e aparecer mais. Dois anos após se mudar, ganhou um prêmio da Secretaria de Cultura da província de Ontário. Desde então, faz bate-voltas para o Brasil com shows. Em 2019, gravou o especial ‘Lugar de Mulher’ na Netflix e, em 2020, entrou para o elenco do programa ‘A Culpa é da Carlota’, veiculado no Comedy Central.

O feito de Carol em lançar um álbum em inglês nos Estados Unidos e Canadá é inédito no humor brasileiro. Mas afinal, você só pode dançar se conhecer a música, certo?

Os discos de humor. O primeiro registro de um álbum de humor é de 1898, quando Cal Stewart lançou um disco de piadas chamado ‘Uncle Josh’. Com o avanço da tecnologia da época, outros comediantes foram lançando LP’s aos poucos, sempre sobre piadas. O primeiro disco a ter o formato conhecido hoje, com uma plateia e texto sobre sua rotina, foi lançado em 1958 por Mort Sahl. Em 1959, a Academia do Grammy criou uma categoria nova de “Melhor Álbum de Comédia”. O humorista Bill Cosby é o maior vencedor, com 7 estatuetas, seguido por George Carlin e Richard Pryor, com 5 gramofones cada.

No Brasil, o formato foi introduzido no Brasil por José Vasconcellos na década de 50. Em 1960. Nas décadas seguintes, os álbuns de comédia fizeram sucesso no Brasil, nomes como Chico Anísio, Dercy Gonçalves, Jô Soares e Ary Toledo, lançaram discos – hoje, alguns se encontram na íntegra no YouTube. Com o surgimento do CD, na década de 90, o mercado de álbuns de comédia no Brasil perdeu força.

Carol explica que a diferença entre americanos e brasileiros é que os americanos preferem ouvir, já os brasileiros, assistir assim que sai no streaming. “O áudio mexe mais com a imaginação, faz você ‘criar’ a plateia, o palco e acaba sendo bem mais intimista por não haver aparatos técnicos de vídeo, como câmeras”, finaliza. Ouça um trechos do álbum:

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.