Pedro Lourenço seduz Paris com sua Jovem Ousadia

Pedro Lourenço seduz Paris com sua Jovem Ousadia

Aos 19 anos, ele estreou com sucesso sua coleção na capital francesa

Eva Joory, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

Ele cresceu em meio a tesouras, alfinetes, moldes e panos. Não é difícil entender por que Pedro Lourenço se encantou ainda criança, aos 12 anos, pelo universo mágico da moda. Filho de Reinaldo Lourenço e de Gloria Coelho, dois dos mais importantes estilistas brasileiros, Pedro, 19, é um talento precoce.

Mais do que isso, parece já ter conquistado um lugar ao sol. Pedro acaba de apresentar, com louvor, sua primeira coleção na última temporada de moda de Paris. Seu desfile foi visto e aplaudido por todas as grandes editoras e jornalistas de moda do mundo, um feito raro e difícil.

Paris é o berço de grandes criadores. Mas é também o palco de uma competição sem precedentes. Nas temporadas de coleções, a cidade reúne a nata da moda mundial - são compradores, jornalistas, fotógrafos e celebridades que assistem aos desfiles em busca de novidades. É para onde os olhos do mundo se viram quando o assunto é roupa.

Não é qualquer um que aterrissa por lá para ser celebrado com elogios dos mais importantes jornais, como aconteceu com Pedro. "O jovem brasileiro seduziu a plateia com a sua ousada e excêntrica coleção em couro", escreveu o convicto New York Times. Carine Roitfeld, a toda poderosa diretora da Vogue francesa, ficou impressionada não só com a coleção, mas com a visão de moda exibida pelo criador brasileiro. Hilary Alexander, do britânico Daily Telegraph, chamou-o de jovem audacioso por enfrentar o escrutínio de compradores e da imprensa internacional. "Ele passou no teste", sentenciou.

Mudança. Foi assim, sem hesitar, que Pedro Lourenço escolheu a capital francesa para dar vazão à sua curiosidade por moda, mudando-se para lá em 2007. Escolheu o tradicional bairro de Invalides para morar. "Admiro as tradições. Paris é a cidade da história da moda e fazer um desfile aqui é seguir a tradição mais pura da moda, é o que há de mais valorizado na minha área." Com o auxílio da mãe, chegou com a coleção já pronta, fabricada no Brasil. Agora é escolher onde vai vender as roupas, a princípio tanto em Paris quanto no Brasil, em lojas multimarcas ainda por definir. Ele também se prepara para abrir um escritório parisiense, passo fundamental para se integrar definitivamente ao calendário de moda francês.

Pedro jura que vem seguindo um caminho natural e nem ficou intimidado por mostrar sua coleção na capital europeia da moda. Sentiu a confiança de estar no lugar certo: "A paixão pela minha profissão me ensinou a disciplina." Já foi assistente de Albert Elbaz, estilista da Lanvin. Aprendeu os manejos da costura e apostou na sua visão pessoal de moda: "Aqui me aperfeiçoei em novas técnicas e na maneira de trabalhar com couro."

Tudo começou muito cedo para ele. Aos 7 anos, realizou o primeiro desfile, na casa dos pais, apenas para amigos da família. Aos 12, já assinava a primeira coleção, para a marca Carlota Joakina, segunda grife da mãe, no São Paulo Fashion Week. O menino que pensava em moda 24 horas por dia e que teve aulas de corte e costura dos 7 aos 10 anos em casa, é hoje um criador em busca do sonho. Em vez de ficar ligado só em tendências, prefere convocar a própria sensibilidade. "O que me atrai na moda é o processo criativo, é poder voltar no tempo, estudar um assunto, desenvolver novas técnicas com visão no futuro."

Comparações. Parece já bem familiarizado com as regras do jogo, como a de que, em moda, nada é eterno: "Sei que tenho um longo caminho pela frente." Com orgulho natural de mãe, Gloria Coelho considera Pedro um estilista impecável. "Não tenho nada em comum com ele quando o assunto é criação. Em casa ele recebeu uma overdose de moda e até achei que seria melhor que crescesse longe desse universo. Mas ele não quis. Paris foi o seu vestibular."

Tanto talento não evita comparações. Uma delas é a de que sua moda, altamente sofisticada, é influenciada pelo badalado estilista Nicolas Ghesquière, da grife Balenciaga. Ele não se incomoda. "É natural, pois pensamos no futuro para fazer a moda de agora."

E nada mais natural, diz ainda, que, entre os estilistas que admira, estejam também nomes do passado, responsáveis por consolidar a história da moda: "Madeleine Vionnet, pela sua filosofia de decorar para construir, e Yves Saint Laurent, pelo estilo."

As roupas que apresentou durante a semana de moda só estarão nas lojas em quatro meses. Os preços, garantem os experts, não serão baratos. Por isso tratou de desenvolver uma coleção mais comercial. "Tem bastante t-shirts, vestidos e peças mais leves", avisa o pai, Reinaldo.

Os planos de Pedro estão em aberto. Com residência fixa na capital francesa, vive de acordo com a agenda, entre Paris e São Paulo. Agenda típica de um jovem que confessa ter curiosidade de sobra para conhecer coisas novas, em diferentes áreas. Como ele próprio resume, "acho contemporâneo não morar em um único lugar".

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