Pedagogia e arte,por Pablo Helguera

Artista mexicano participa de conferência da 29ª Bienal

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

O mexicano Pablo Helguera, de 39 anos, dedica-se a um campo que considera complementar - é artista e pedagogo. Ao mesmo tempo em que cria instalações e performances, ele atualmente também é diretor do setor de programas acadêmicos, simpósios e visitas guiadas do Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York - e anteriormente, foi responsável pelo educativo do museu Guggenheim. Amanhã Helguera estará em São Paulo para dar sua contribuição ao seminário do programa educativo da 29.ª Bienal de São Paulo, que começa hoje no auditório do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, em seu espaço no Parque do Ibirapuera. Depois, Helguera segue para Porto Alegre, convidado que foi para ser o curador pedagógico da 8.ª Bienal do Mercosul de 2011.

Nascido na Cidade do México, mas vivendo nos EUA há 20 anos, onde se formou em arte na cidade de Chicago, mas com atuação em Nova York, Pablo Helguera vai tratar amanhã, a partir das 9 h, do tema Política e Educação em debate que contará ainda com a presença da ex-prefeita de São Paulo Luiz Erundina, do músico e educador Francisco Alemberg e terá mediação do coordenador do serviço educativo do Masp, Paulo Portella Filho. "Hoje em dia há uma espécie de crise de identidade da arte e é difícil pensá-la como papel no âmbito social. Qualquer obra é um comentário sobre o mundo, mas há artistas procurando algo a mais", afirma.

Manual. Pablo Helguera é um criador eclético e parece que até hiperativo - por exemplo, entre oito livros já publicados, está um que é um sucesso, o curioso e irônico Manual de Estilo da Arte Contemporânea (2005), útil para os interessados no que seriam as boas maneiras para lidar com o mundo artístico. "Existe um código de comportamento desse cenário tão hierarquizado socialmente que precisava ser dito. Mas também queria fazer uma crítica a hábitos do mundo da arte e aos tabus que o rodeiam", diz Helguera, que se inspirou em um manual "muito popular" dos anos 1920 escrito pelo venezuelano Antonio Carreño - de boas maneiras em geral.

Ele vê atualmente na arte contemporânea uma geração de criadores do fim da década de 1990 e, principalmente, dos anos 2000 - incluindo ele próprio - cada vez mais empenhada em práticas de caráter pedagógico. "Há artistas que fazem arte como educação porque estamos em uma época, desde os anos 1960, em que o processo é parte da obra de arte", diz.

Essa nova geração está empenhada na teoria da "Estética Relacional" (do crítico francês Nicolas Bourriaud) e na chamada "crítica institucional", como ele define. Sua palestra vai tratar desse interesse que coloca a "educação como arte" e seu trabalho como um dos curadores da 8.ª Bienal do Mercosul, ele afirma, estará ligado a uma vertente que coloca "a pedagogia crítica no mundo da arte", inspirada, ele cita, no legado do diretor de teatro carioca Augusto Boal e do educador pernambucano Paulo Freire.

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