Peças seguem caminhos distintos

Duas novas peças marcam a abertura da temporada 20011 da São Paulo Cia. de Dança. No programa, que o grupo leva ao Sesc Pinheiros a partir de amanhã, estão Legend, criação de John Cranko, e Inquietação, coreografia inédita de Henrique Rodovalho.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2011 | 00h00

Concebida em 1972, Legend será vista pela primeira vez em palcos brasileiros. O pas-de-deux, que nunca havia sido montado no País, aparece agora em remontagem assinada por Richard Cragun, primeiro bailarino a dançar a peça.

Radicado no Brasil desde 1999, o norte-americano Cragun estreou Legend ao lado de Márcia Haydée - dançarina com a qual manteve uma parceria de mais de 30 anos. A coreografia parte da música Legend, op. 17, escrita pelo polonês Henryk Wieniawski no século 19.

De acento neoclássico, a obra tematiza o sentimento amoroso. Uma pretensão que, segundo Cragun, se traduz em movimentos de grande lirismo e difícil execução. "Para deixar transparecer essa suavidade em cena, Legend demanda grande domínio técnico", afirma o bailarino veterano.

Como inspiração, Cranko valeu-se da túnica usada pela mítica Galina Ulanova, primeira bailarina do Ballet Bolshoi entre os anos 1940 e 60. O resultado são momentos que podem evocar a poesia de George Balanchine.

É do russo, aliás, a autoria de Theme and Variations, trabalho que foi remontado pela companhia em 2010 e deve abrir as récitas desta temporada.

É em um lugar quase antagônico que encontramos Inquietação. Diretor da Quasar Cia. de Dança, de Goiânia, Henrique Rodovalho traveste a São Paulo Cia. de Dança de cores mais contemporâneas.

No embate entre sua gestualidade tão particular e o virtuosismo do jovem conjunto, o criador encontrou o mote para a obra inédita. Uma proposta que combina momentos de quietude a outros de grande agitação.

Conflito. Ao som da trilha original de André Abujamra, o coreógrafo traz à baila situações de desassossego. Espelha, de certa maneira, parte do conflito que viveu ao deparar-se com um grupo que segue por um caminho tão distinto do seu.

"Trago um estilo um pouco mais irreverente", comenta Rodovalho. "Como eles têm essa preocupação com a técnica, própria da dança clássica, venho com a proposição de expor um corpo mais imperfeito, mostrar em cena menos o bailarino e mais o humano."

Toda a proposta parte daquelas que seriam as inquietações de três personagens. O primeiro se mantém imóvel em cena ,completamente paralisado pelo que lhe atormenta. O segundo se movimenta segundo uma única linha, usada para construir um labirinto. Já o terceiro desdobra no próprio corpo seus questionamentos e ganha variações dançadas por dez bailarinos.

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