Nana Moraes/Divulgação
Nana Moraes/Divulgação

Peças infantis conquistam a plateia adulta

O alto grau de comunicação de um espetáculo infantil com a plateia - afinal, não é isso que se persegue no fazer teatral? - teve, em 2010, quatro exemplares marcantes. Cada qual no seu estilo e na sua linguagem, os quatro se destacaram por essa eficiência em atingir o gosto do público, não só as crianças, mas também seus pais, tios e avós.

Dib Carneiro Neto, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2010 | 00h00

A poesia e o encantamento de uma fábula bem contada foram os trunfos de O Soldadinho e a Bailarina, de Gabriel Villela. A ousadia do experimento de linguagem garantiu a força de Rabisco - Um Cachorro Perfeito, de Sidnei Caria. O contagiante humor de Circo de Pulgas, da Cia. Circo de Bonecos, e a alegria arrebatadora de Parapapá!, com os Parlapatões, completam o quarteto de peças bem-sucedidas do ano - sempre no que se refere à resposta do público de todas as idades.

Relembremos um pouco de cada um. Em O Soldadinho e a Bailarina, o premiado Villela, convidado por Luana Piovani, voltou ao gênero infantil na sua melhor forma, com um rigor criativo que fez as mães chorarem e as crianças se enredarem. A força do simbólico arrebatou, pois tudo convocava nosso imaginário. Adaptação do conto de Andersen, por Gustavo Wagner e Sergio Módena, a montagem teve ainda uma singela trilha, que acabou virando CD.

Juntando os grupos Maracujá e Pia Fraus, Rabisco foi ousado no que diz respeito aos recursos audiovisuais. Na direção, Caria esbanjou tecnologia, sem deixar de emocionar. Baseada em livro de Michele Iacocca, a peça usou projeção de videocenários e puppet toys. No palco, a maquete de uma cidade era filmada o tempo todo, com objetos que se moviam, manipulados por atores, enquanto outros percorriam tudo com minicâmeras e o resultado aparecia no telão. Crianças e adultos ficaram vidrados.

Em Circo de Pulgas, Claudio Saltini e Rani Guerra se superaram no humor celofanes. Desde o primeiro minuto até à hilariante cena final, o público ria sem parar, numa explosão de alegria que emocionava. São dois intérpretes expressivos, que se completam e sabem usar máscara e corpo com resultado impecável.

O quarto destaque do ano veio dos Parlapatões, o Parapapá! - Circo Musical, dirigido por Hugo Possolo e Henrique Stroeter, no Circo Roda Brasil. Tudo estava azeitado, com agradáveis números de circo físico, clowns e bonecos. E a trilha também era o ponto alto, a cargo da Banda Paralela, que mostrava muitas canções que têm o circo como tema, em ritmos e arranjos de um apropriado alto-astral. Que venha 2011 com a mesma alegria, a mesma poesia, o mesmo talento desses quatro exemplares marcantes do ano que está acabando.

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