Peças fora do grande circuito instigam Cortez

André Cortez também contribuiu com produções como "Como Ser uma Pessoa Pior", monólogo interpretado pela atriz Lulu Pavarim e dirigido por Mário Bortolotto, que ficou em cartaz até dezembro no Espaço Parlapatões, e "Música para Cortar os Pulsos", primeira incursão teatral de um dos realizadores do vídeo-fenômeno na internet "Tapa na Pantera", Rafael Gomes.

IGOR GIANNASI, Agência Estado

15 de fevereiro de 2011 | 08h24

Assim como no início da carreira, peças fora do grande circuito instigam o cenógrafo. Ele considera, por exemplo, que "Amor e Restos Humanos", do canadense Brad Fraser, foi um trabalho "marcante" na vida dele. O espetáculo de 2002, continuação da parceria de Cortez com Carlos Gradim, apresentava questões totalmente "off", como drogas, homossexualidade, aids, solidão e desilusão amorosa nos grandes centros urbanos. Para resolver o desafio dramatúrgico proposto pelo autor do texto, o cenógrafo sugeriu ao diretor a ideia de interferir na relação entre atores e plateia. Apresentada também em São Paulo, no foyer do Teatro Sérgio Cardoso, a montagem deixava o público numa arquibancada acompanhando cenas que aconteciam simultaneamente: cada um escolhia para onde queria olhar.

"Na época, o voyeurismo era uma palavra que estava ressurgindo com a maior força, principalmente por causa do fenômeno reality show", comenta. "Anos depois, eu fui encarar um negócio parecido como esse que foi ''O Continente Negro''", conta Cortez. Neste espetáculo, dirigido por Aderbal Freire-Filho, diversas situações também aconteciam ao mesmo tempo. A diferença foi a adaptação dessa proposta de simultaneidade da ação para o palco italiano do Teatro da Faap.

Sempre à frente de tantos projetos, não apenas de cenários, mas de figurinos (apesar de agora estar mais afastado dessa área) e de eventos especiais - ele foi responsável por exposições do Museu da Língua Portuguesa e prepara um projeto sobre dança para o Sesc Pinheiros -, Cortez destaca o entrosamento entre toda a equipe para que conseguir um bom resultado. "E ter um diretor que integre tudo isso", diz.

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