Peça sobre Tadeuz Kantor estréia em São Paulo

Aplaudido com entusiasmo pelo público que lotou o Teatro Sesc da Esquina no 10.º Festival de Teatro de Curitiba (FTC), o espetáculo Pequeno Réquiem para Tadeuz Kantor, com a companhia polonesa Ariel Theatre, dirigida por Zofia Kalinska, estréia nesta quinta-feira para uma curta temporada no Sesc Belenzinho. Em São Paulo, o espetáculo de 50 minutos está inserido num evento mais amplo em torno da vida e da obra do importante encenador polonês Tadeuz Kantor, criador de espetáculos memoráveis como A Classe Morta e Wiepole, Wiepole. Uma exposição com fotos, desenhos, posters, objetos de cena e vídeos de espetáculos integram o evento em homenagem ao encenador. E ainda a mesa-redonda As Faces de Kantor, além de um workshop com a diretora Zofia, que trabalhou como atriz durante 20 anos na Cricot, a companhia dirigida por Kantor, no Centro de Teatro Cricot 2, na Cracóvia."Considero esse evento muito importante para o entendimento do universo retratado em Pequeno Réquiem, embora muitos jovens que jamais viram um espetáculo de Kantor se emocionem com nosso espetáculo", comentou Zofia, em entrevista, em Curitiba. Ela faz questão de ressaltar que sua encenação surgiu do desejo de prestar uma homenagem ao mestre no ano 2000, em lembrança aos 10 anos de sua morte. "Eu devia isso a ele." Mas não se trata de uma imitação de seu trabalho. "E muito menos tenho a pretensão de competir com Kantor. Antes de iniciar o trabalho, temi por uma má compreensão que provocasse comparações."Cabelos brancos, olhos azuis, bem-humorada, Zofia lembrou sua trajetória artística, antes e depois do trabalho com Kantor. "Antes de entrar para a Cricot, eu era uma jovem muito bonitinha, tinha uma expressão angelical e os diretores me davam papéis de mocinhas boazinhas. Kantor ajudou-me a descobrir o demônio que havia em mim", diz.Zofia deixou a Cricot em 1977, porque sentia necessidade de se descolar de sua influência, queria trabalhar com outros diretores. "Mas não encontrei nenhum que me satisfizesse plenamente como artista e passei a dirigir." Na sua primeira direção, Kantor ofereceu-se para fazer os cenários. "Recusei. Com sua força autoral, o espetáculo acabaria sendo dele", comenta. "Em minha companhia, comecei a explorar mulheres como Medéia ou Salomé, porém, de forma diferente de Kantor, que trabalhava com memórias e emoções, mas negava a psicologia. Ao contrário dele, eu queria também usar a psicologia em cena, acho que não dá para fugir disso."Kantor é considerado um diretor inovador. Antes mesmo de conhecer o trabalho de Marcel Duchamp e Christo, Kantor emprestava vida a objetos do dia-a-dia e embrulhava cenários e material de cena com bandagens. "Ele descobria poesia em sucata. Mas detestava ser chamado de diretor e, mais ainda, de inovador. Ele nunca negou a tradição e nem a influência de diretores como Gordon Craig ou Meyerhold. Preferia ser chamado de encenador de um teatro total. Para ele, texto, atores, cenários, música, figurinos, tudo tinha exatamente a mesma importância numa encenação."Pequeno Réquiem para Kantor - Direção Zofia Kalinska. Duração: 50 minutos. De quinta a sábado, às 21 horas; domingo, às 20 horas. Na próxima semana somente sábado e domingo. R$ 5 00. Exposição Um Réquiem para Tadeuz Kantor. De terça a sábado, das 14 às 20 horas; domingo, das 14 às 19 horas. Sesc Belenzinho. Avenida Álvaro Ramos, 991, tel. 6096-8143. Até 8/4.

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