Peça retoma mote de filme argentino

Há muitas formas de amar. Nenhuma delas, contudo, soa tão desmesurada e incondicional como aquela que une mãe e filho. É um pouco sobre esse afeto obsessivo que se debruça Conversando com Mamãe.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2011 | 00h00

Com Beatriz Segall e Herson Capri no elenco, o espetáculo que estreia hoje parte do mesmo argumento que motivou o filme homônimo argentino.

Assim como no longa de Santiago Carlos Oves, é a relação conturbada entre os personagens que movimenta a trama - adaptada para o teatro pelo espanhol Jordí Galcerán.

Dirigida por Susana Garcia, a peça, que ficou nove meses em cartaz no Rio, parte da crise financeira de Jaime. Eis o motivo para que ele resolva visitar sua mãe, um costume há muito tempo perdido, e anunciar a decisão de vender o apartamento no qual ela vive.

A personagem de Beatriz Segall recusa-se enfaticamente a sair. E, gradualmente, vai expondo ao filho uma personalidade desconhecida. "No filme, tudo é explícito. Aqui, não", argumenta a atriz de 85 anos, que interpreta o papel da matriarca de 82. "Você vai tomando conhecimento da vida deles aos poucos. E, apesar de a peça ter apenas dois atores, me parece que ela tem mais conteúdo."

Nessa jornada, o relacionamento dos dois se reinventa. Merece novos matizes. Jaime percebe que existem muitas facetas de sua mãe que ele ignora completamente. Entre elas, a existência de um novo namorado. O fato é surpreendente para o filho, assim como a mulher que ele vai desvendando. "Não é uma amizade qualquer entre mãe e filho. Ela o desconcerta. Porque diz coisas nas quais ele nunca havia pensado", diz a intérprete.

Não são apenas as finanças de Jaime que andam combalidas. Súbito, o até então bem-sucedido pai de família vê seu casamento ruir. Depara-se com uma vida aparentemente sem propósito. Uma sensação que só se aprofunda à medida que cresce a cumplicidade com a mãe.

As questões que a montagem perpassa parecem todas muito sérias: afetos, laços que se dissolvem, uma crítica ao mundo de aparências em que a posse de bens tornou-se o valor máximo. Todos esses temas, porém, são movimentados com a leveza própria da comédia. Em diálogos que oscilam entre a mordacidade e a delicadeza.

"Ela é uma mulher muito simples, mas que foi aprendendo a viver", considera a atriz. "Sua grande preocupação é passar isso para o filho, ensinar uma certa maneira de viver mais calma. Ela diz uma frase muito boa: "A velhice traz a vantagem da sabedoria. Pena que essa vantagem chega um pouco tarde"".

CONVERSANDO COM MAMÃE

Teatro Folha. Avenida Higienópolis, 618, tel. 3823-2323. 6ª, 21h30; sáb., 20 h e 22 h; dom., 19h30. R$ 50/R$ 70. Até 18/12.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.