Peça renova ideal de Chico Mendes

Aos 24 anos de idade, o seringueiro Francisco Alves Mendes Filho não sabia ler nem escrever. Alguns anos mais tarde, Chico Mendes, já presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, Acre, receberia um prêmio das Nações Unidas por sua luta pela preservação da floresta. Outras premiações internacionais viriam até dezembro de 1988, quando morreu assassinado, aos 44 anos - o 12.º militante seringueiro morto em pouco mais de cinco anos. E não seria o último. Assim como a floresta continua a ser devastada. A partir de hoje, Chico Mendes revive no palco do Centro Cultural São Paulo, interpretado pelo ator Joca Andreazza no espetáculo Chico Mendes e o Encantado. Com texto de Ana Vitória Vieira Monteiro, direção musical de Ivini Ferraz e direção de atores de Georgette Fadel, o espetáculo tem 29 atores no elenco e cinco músicos.Nomes de pássaros, bichos e peixes, dezenas deles, podem ser ouvidos pelo público enquanto vai se acomodando no Espaço Ademar Guerra - o porão do CCSP. Simultaneamente, imagens da floresta são projetadas em vídeo. "Todos os animais nomeados estão em processo de extinção", comenta Joca. E avisa: "O Chico que está em cena é menos o sindicalista e mais o espírito do homem da floresta. Claro que seria impossível não aparecer o ser político. Evidentemente que para lutar pela causa da preservação ele precisou agregar pessoas, divulgar suas idéias. Mas o eixo central do espetáculo é a integração entre homem e natureza."Mais do que conhecer a luta política ou a biografia do líder Chico Mendes, o público vai entrar em contato com elementos da mitologia amazônica que, assim como a mitologia africana, é bastante rica e desconhecida. "O espectador deve preparar-se antes de tudo para compartilhar rituais. Criamos um espetáculo ritualístico, com cantos e danças dos povos da floresta, e nisso reside sua maior força e beleza", afirma o produtor e ator Fernando Oliveira.Chico Mendes e o Encantado. Texto Ana Vitória Vieira Monteiro. Direção de Ivini Ferraz. Duração: 70 minutos. Sexta e sábado, às 21 horas; domingo, às 20 horas. R$ 12,00. Centro Cultural São Paulo - Porão. Rua Vergueiro, 1.000, tel. 3277-3611. Até 28/9.

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