Peça reflete sobre teatro

Pilar do drama francês do século 17, Pierre Corneille figura ao lado de outros grandes, como Molière e Racine. Por alguma estranha razão, porém, o autor seguia ausente dos palcos brasileiros. E, só recentemente, o diretor Marcio Aurélio e sua Cia. Razões Inversas vieram cobrir parte dessa lacuna.

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2011 | 03h01

Para comemorar seus 21 anos, e a consequente maioridade, o grupo lançou-se à tarefa de montar A Ilusão Cômica, obra até então inédita no Brasil. O plano era antigo, acalentado por Marcio Aurélio há décadas. E também ambicioso: tratava-se de dar corpo a um texto escrito há quase 400 anos. Uma enorme metáfora do próprio teatro. Estrutura que, mesmo quando de seu lançamento, provocou choque e incompreensão.

Não foi sem sobressalto que Corneille subverteu a tragédie classique. Em uma época em que as unidades de ação, tempo e espaço eram regras incontestáveis, o dramaturgo não parecia muito preocupado com verossimilhança. Dava de ombros para aquilo que Aristóteles preconizou em sua Poética.

Na atual montagem de A Ilusão Cômica, que segue em cartaz no CCBB, a Razões Inversas vale-se de uma tradução do texto que mantém sua estrutura original. Faz aquilo que a trupe sempre se colocou como missão: redimensiona os clássicos para o nosso tempo.

Não há, na versão encomendada a Valderez Cardoso Gomes, adaptações para a atualidade. Mas sinaliza-se a busca por uma linguagem mais afeita ao vocabulário contemporâneo. Uma maneira de comunicar ao público o mote que movimenta a fábula de Corneille.

Em primeiro plano, está em questão o desentendimento entre um pai e um filho. Uma temática que se desdobra até abrir brechas para sentidos insuspeitos. Um prenúncio da Revolução Francesa, que ainda não se anunciara, uma aguda reflexão sobre o teatro, seu vínculo com as ações humanas, sua forma de fabricar ilusões.

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