Peça 'Razões para Ser Bonita' discute ditadura da beleza

Se, como dizia Serge Gainsbourg, a velhice é a vingança dos feios, a juventude é o período em que bonitos se distinguem dos ''não bonitos'', começam a chamar atenção, descobrir seu poder de ''persuasão'' em uma sociedade cada vez mais superficial. E o que dizer dos nem feios nem bonitos? Os ''comuns''? Talvez mais cruel que ''ser feio'' é ser comum. Foi exatamente a normalidade que fez com que a personagem de Steph (Ingrid Guimarães) em "Razões para Ser Bonita" fique enfurecida e resolva terminar o relacionamento com Greg (Gustavo Machado). Tudo porque ela descobre que o namorado comentou com um amigo que "a moça do escritório é linda. Minha mulher tem um rosto apenas comum, mas mesmo assim não a trocaria por nada".

AE, Agência Estado

21 de setembro de 2012 | 11h05

O que para muitas soaria como uma declaração de amor, para Steph foi uma humilhação. E, aliás, é uma amiga que trabalha com Greg e Leo quem ouve a conversa e conta para Steph. A partir daí, sua vida, e a do namorado, se torna infernal. Steph não suporta continuar com alguém que não a ache bonita. O assunto se torna uma obsessão. No meio tempo, Leo (Marcelo Faria, melhor amigo de Greg) é do tipo de homem que faz questão de ter uma namorada linda, Carla (Aline Fanju), e que ao mesmo tempo tem um caso com outra mulher mais jovem e mais linda ainda. Carla, por sua vez, é amiga de Steph e sofre o problema oposto. É bonita demais.

Esta é a premissa da peça de Neil LaBute que chega ao teatro Vivo nesta sexta e discute exatamente quanto o culto excessivo à beleza pode ditar padrões de comportamento e relacionamento no mundo atual. "Eu mesma nunca tive o padrão de beleza tradicional. Quando ia fazer testes para algum papel, ouvia: Você é exótica", brincou Ingrid, que há tempos procurava um texto para encenar.

"Depois de mais de dez anos encenando Cócegas com a Heloísa Périssé, queria algo com que me identificasse e dissesse algo também. O texto do LaBute é muito crítico, mas tem humor. Tudo o que faço, mesmo drama, tem que ter humor", comenta a atriz, que tomou contato com "Razões para Ser Bonita" ao ganhar um livro de LaBute da amiga Deborah Evelyn. "Aí, uni com observações que já vinha fazendo. Hoje todo mundo, pobre ou rico, quer estar sempre bonito. Mais importante do que ser é aparentar ser", declara a atriz, que, ao texto original, acrescentou monólogos que escreveu para cada personagem.

É exatamente a obsessão pela cultura das aparências que o texto mordaz de LaBute critica com precisão e humor corrosivo. "Razões para Ser Bonita" integra uma trilogia que versa exatamente sobre as neuroses e preconceitos do mundo atual, completada por "Gorda" e "A Forma das Coisas". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

RAZÕES PARA SER BONITA

Teatro Vivo (Av. Chucri Zaidan, 860, Morumbi). Tel. (011) 7420-1520. 6ª, 21h30; sáb., 21 h; dom,., 19 h. R$ 50/ R$ 70. Até 21/10.

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