Peça O Auto do Circo estréia no CCSP

Custou, mas finalmente O Auto do Circo estréia pertinho de uma saída de metrô, no Centro Cultural São Paulo, local acessível a moradores de vários bairros da cidade. Muito elogiada, pouco vista, assim é essa peça que tem um texto de rara carga poética, e muito humor, assinado por Luís Alberto de Abreu, direção de Renata Zhaneta e interpretação de um elenco formado por sete jovens e talentosos atores da Cia. Estável. Na verdade, O Auto do Circo atraiu um amplo público para o Teatro Flávio Império, em Cangaíba, ocupado pela trupe a partir de 2001, quando venceu o 1º edital de ocupação dos teatros distritais. Durante quatro anos, os atores da Cia. Estável realizaram um importante trabalho de revitalização daquele teatro, conferido pelo Estado. Mas o gigantismo da metrópole reduziu geograficamente os espectadores - poucos moradores de outras regiões se arriscaram a ir até lá acompanhar esse trabalho. Esse quadro deve mudar a partir de agora. Depois de se apresentarem no Festival de Teatro de Curitiba - no complicado espaço do Ópera de Arame - O Auto do Circo estréia hoje na sala Jardel Filho, tem agenda de apresentações fechada até outubro, e outros festivais brasileiros já estão interessados em ter o espetáculo em sua programação. Ao contrário do que o título sugere, o espectador não vai encontrar uma feérica sucessão de números de malabarismos e trapézio - ainda que eles estejam lá -, mas a comovente história de uma família circense, desde sua chegada ao Brasil, passando pela criação de seu circo e o auge do bem-sucedido empreendimento, até sua decadência. Tudo contado por uma dupla hilária de palhaços, Coscorão (Nei Gomes) e Ximbeva (Jhaíra). O público vai conhecer um pouco do dia a dia desses artistas que arriscam a vida no picadeiro, sua rígida disciplina, as agruras da itinerância por estradas lamacentas, o preconceito e também a admiração por eles despertada. Um espetáculo para rir e se emocionar.O Auto do Circo. 130 min. 12 anos. Centro Cultural São Paulo. (324 lug.). R. Vergueiro, 1.000, Paraíso, 3277-3611, metrô Vergueiro. Sala Jardel Filho. 3.ª a 5.ª, 21 h. R$ 12. Até 4/5. Reestréia hoje.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.