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Peça 'Julia' divide opinião de críticos

Espetáculo que incorpora no palco câmera de filmar é avaliado pelos especialistas do C2

UBIRATAN BRASIL - O Estado de S.Paulo,

19 de setembro de 2012 | 03h10

A peça Julia, em cartaz no Sesc Belenzinho, é o novo desafio da diretora Christiane Jatahy, ao fundir elementos do teatro com o do cinema e buscar, como resultado, um terceiro produto.

Inspirado em Senhorita Júlia, do sueco August Strindberg, o espetáculo tem fronteiras embaçadas, permitindo que o espectador assista à uma encenação ao vivo e, em outros momentos, necessite das imagens projetadas em um telão para seu melhor entendimento. A situação torna-se mais relevante em uma cena de sexo, em que o ato é entrevisto pela plateia, mas sutilmente revelado pela câmera que acompanha ao vivo.

Christiane preferiu atualizar o texto original - assim, se Strindberg detalhou o romance impossível entre a filha de um conde e um criado, a encenadora faz o mesmo em Julia ao contar uma difícil história de amor nos dias atuais entre a filha de um rico empresário (vivida por Julia Bernat) e o chofer da família (Rodrigo dos Santos). Mas, no lugar da lupa usada pelo dramaturgo sueco, a diretora utiliza uma câmera de filmar para destrinchar o conflito.

Por conta dessa fusão artística, os críticos de cinema e teatro do Caderno 2, Luiz Carlos Merten e Jefferson Del Rios, assistiram à montagem e oferecem aqui o seu olhar a partir da arte na qual são especialistas. O estranhamento foi inevitável, como se pode perceber nos textos no 'Veja também'. Del Rios, por exemplo, acredita que a união cinema/teatro é prejudicial em alguns momentos, especialmente em relação ao texto, uma vez que o original de Strindberg sai "danificado em termos de extensão dramática, mergulho psicológico e agudeza política".

O crítico reclama também do predomínio do cinema na primeira parte do espetáculo. Já Luiz Carlos Merten só lamenta que Christiane Jatahy não tenha sido mais ousada na sua experiência artística - cinema ou teatro, depende do olhar de cada um. "Na era da superficialidade, Christiane mostra que o importante é ser complexa", diz.

JULIA

Sesc Belenzinho. Rua Pe. Adelino, 1.000, metrô Belém, tel. 2076-9700.

5ª a sáb., 21h30; dom., 19 h. R$ 24. Até 14/10.

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