Peça inicia homenagens a Grande Otelo

A produção do musical Grande Otelo, Eta Moleque Bamba!, que estréia hoje, no Teatro do Sesi, brinca que os talentos do ator que viveu Macunaíma - são tantos que ele não poderia ser representado por uma só pessoa. Por isso, Flávio Bauraqui, Maurício Tizumba e Vilma Melo o representam no espetáculo em sua homenagem, lembrando seus principais personagens no cinema e no teatro e seus sucessos como compositor (Praça Onze, com Herivelto Martins, e A Fonte Secou, com Monsueto sãos os maiores hits), mas aborda também sua angústia e a dualidade em que ele vivia. A peça inicia a comemoração dos 90 anos de nascimento de Grande Otelo, que se completam no ano que vem. Dos três Otelos, o mais conhecido é Flávio Bauraqui, que no início do ano viveu Cartola, foi Jair Rodrigues na peça sobre Elis e está na cinebiografia de Noel Rosa, como Ismael Silva. Ele vive a fase plena de Otelo, quando fazia sucesso nas chanchadas e revistas e tornou-se ator preferido de Orson Welles, de passagem no Brasil para filmar. Vilma Melo representa-o na infância, no interior de Minas, enquanto Maurício Tizumba o faz na maturidade. "Como ele, não queremos apenas tocar pandeiro", avisa. "Agora estou em um musical, mas posso também fazer Shakespeare." Esse foi o sonho irrealizado de Grande Otelo, ao qual se referia até no nome adotado quando chegou ao Rio nos anos 30, para trabalhar na companhia de Jardel Jércolis. Vinha de Uberlândia, onde, apesar de pobre, teve educação esmerada, ao ser praticamente adotado por uma família de fazendeiros da região. Aqui fez sucesso no teatro-revista (ao lado de Carmem Miranda e outras estrelas) e tornou-se astro das comédias da Atlântida e da Cinédia. Mas foi dos poucos atores aceitos pelo Cinema Novo que atropelou a chanchada. Estava nos seminais Rio Zona Norte e O Assalto ao Trem Pagador e também no campeão de bilheteria Macunaíma. O espetáculo Eta Moleque Bamba! faz parte do projeto para preservar a memória do ator/compositor que morreu amargurado em 1993, porque acreditava erroneamente, que seria esquecido. O projeto da Sarau chega perto de R$ 3 milhões, e está fragmentado para ser viabilizado aos poucos.

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