Peça infantil dá lição de teatro e cidadania

Muito tem-se escrito sobre os defeitos das peças infantis que tentam ensinar lições de moral e acabam virando uma chatice. Palco não é sala de aula. Os Direitos da Criança, superprodução em cartaz no Tuca (o teatro acaba de ser reformado e está impecável), é uma feliz prova de que não é proibido querer transmitir lições no teatro infantil, basta saber fazê-lo.Com o objetivo explícito de divulgar a Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada pela ONU desde 1959, o espetáculo está a léguas de distância do que se poderia chamar de maçante. Ao contrário. Tem ritmo, graça, flui com criatividade. Em nenhum momento, assume a abominável (e um tanto comum) atitude do dedo em riste. Aliás, até brinca com isso: uma longa cena de abertura, completamente errada, é corrigida em seguida por interferência da personagem principal, a menina Gabriela, muito bem interpretada por Gabriela Duarte. A atriz achou o tom certo da garota graciosa, inteligente, curiosa, interessada em aprender brincando. Sua sinceridade em cena chega a ser tocante.Osvaldo Gabrieli, há anos à frente do premiado grupo XPTO, escapou de sua trupe natural para assinar a direção do espetáculo, esbanjando competência. As músicas, assinadas por Toquinho e Elifas Andreato (compostas para a montagem original), são uma atração à parte, com letras lúdicas ilustrando cada um dos direitos. Pena que há playback. Nada é perfeito. Figurinos e cenários são de Marco Lima, que também dá um banho de talento. Árvore de espelhos, castelo de códigos de barra e globo terrestre inflável são alguns dos cativantes elementos cenográficos. No final, depois de 60 minutos dessa exibição de competências e talentos, o resultado não poderia ser outro: a emoção da platéia de pais e filhos. Na sessão de domingo passado, alguns adultos até enxugavam lágrimas nos cantos dos olhos. Não perca.

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