Guga Melgar/Divulgação
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Peça 'Igual a Você' ri de distúrbios atuais

A atriz Camila Morgado está na comédia que reúne seis textos sobre transtornos contemporâneos

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S. Paulo

10 de fevereiro de 2011 | 17h23

Tudo aquilo que nos enfara (ou quase tudo) também é capaz de fazer rir. A doença, a dor, a imperfeição - daí tiramos a matéria do humor. Não por acaso, é simultâneo o nascimento da tragédia e da comédia. O que diferencia os dois gêneros - basta um rápido exame das peças em cartaz - não está propriamente no tema em questão, mas nas estruturas de comunicação a que atendem. O efeito cômico surgirá necessariamente da capacidade de um espetáculo carregar nas tintas. Exagerar nos traços. Lavar de toda a austeridade o que poderia nos apiedar.

Em Igual a Você, o diretor Ernesto Picollo parte desse princípio: pinça mazelas contemporâneas e joga sobre elas uma lente de aumento. Insônia, síndrome do pânico, paranoias e compulsões. Eis a matéria-prima da montagem que entra hoje em cartaz. No palco do Teatro Raul Cortez, os atores Camila Morgado, Anderson Müller e Bia Nunnes revezam-se em esquetes que focalizam cada um desses transtornos comportamentais.

Uma mulher que não consegue dormir se perde em elucubrações sobre a quantidade de horas de sono necessárias por noite. A apresentadora de um programa de culinária que tem um surto de pânico diante das câmeras. Dois paranoicos que se conheceram pela internet e marcaram um encontro em um restaurante. Cada um desses distúrbios aparece em textos de dramaturgos diferentes.

Após uma extensa pesquisa, o diretor e a produtora Beta Leporage selecionaram alguns trabalhos. Encontraram peças de autores como Adriana Falcão e Cristina Fagundes. E também decidiram encomendar algumas obras inéditas. Caso do esquete sobre paranoia, escrito por Lícia Manzo.

Epidemia. Perturbações que invadiram não apenas os consultórios médicos, mas também as conversas e situações mais corriqueiras. É assim que Ernesto Picollo vê as mazelas trazidas à cena. "Antes muitas dessas coisas não eram sequer nomeadas. Hoje, todo mundo tem algum desses problemas. E essa é uma chance de rir um pouco disso, de debochar do que nos aflige."

Diretor de comédias de sucesso na cena carioca (como Divã, com Lília Cabral), Picollo não ficou apenas no riso e trouxe certo lastro de realidade à empreitada.

Para abrir e fechar o espetáculo, exibe vídeos com oito depoimentos verídicos. Com uma câmera, resolveu sair às ruas e registrar em breves entrevistas alguns relatos de quem padece, de fato, de algum desses sintomas. "As situações que encontramos acabaram ilustrando ou comprovando aquilo que levamos ao palco", diz ele.

MAZELAS EM CENA

Hipocondria

Um homem viciado em remédios aparece na obra de Thereze Bellido e Fernando Duarte.

Pânico

Cristina Fagundes mostra ataque de apresentadora de TV

Ninfomania

As surpresas de um casal na peça de Cristina Fagundes.

Paranoia

O esquete cômico de Lícia Manzo traz à cena dois paranoicos.

Insônia

Adriana Falcão e as agruras de um insone.

TPM e TOC

Regiana Antonini focaliza os distúrbios de duas amigas

Igual a você - Teatro Raul Cortez (r. Doutor Plínio Barreto, 285, 3254-1700) Sexta, às 22h; sábado, às 21h30 e domingo, às 19h. R$ 40 e R$ 50 (sáb.). Até 24/4.

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