Peça faz rir com o desespero feminino pelo casamento

Quem disse que mulher bonita não sabefazer graça? Linda, do tipo mulherão, esguia, 1,80 m de altura,Mônica Martelli não dá descanso à platéia em Os Homens São deMarte... E É pra lá Que Eu Vou!: é muito difícil parar de rirnos 70 minutos da peça. Num cenário franciscano, ela, sozinha nopalco, relata a ansiedade da personagem Fernanda, uma jornalistafracassada de 35 anos que organiza festas de casamento parasobreviver e está desesperada para casar, ela mesma. A mesma situação padrão se repete ao longo dos 70minutos da peça, perpassando sete namoros da personagem - elacomeça a contar o caso cheia de esperanças, mas termina com afrustração de mais um desacerto -, mas nem por isso a graça sedissipa. Pelo contrário, a platéia antecipa o riso quandopercebe que a nova situação vai pelo mesmo (trágico) caminho daanterior. A graça está, justamente, na repetição dos mesmoserros, ao longo dos casos, que a fazem fracassar sempre. Autora do texto, Mônica acomodou a história de Fernandanum grupo de terapia - do qual a platéia faz parte. O grandedrama de Fernanda gira em torno de transar ou não no primeiroencontro. Com quase todos os namorados Fernanda se jura que nãovai transar, mas acaba cedendo. "Não pode transar no primeirodia, é coisa de vagabunda", ele se repete ao longo do relato deseis casos que não deram em nada. Mônica saca histórias e situações muito engraçadas. Otoque do celular da personagem é a marcha nupcial. Ela é devotade São Ezequiel Moreno, um pseudo-santo casamenteiro que trazuma "vantagem" sobre Santo Antônio: "Não tem fila de pedidos."Mônica ironiza a sua própria altura: "As noivas são semprebaixinhas. Eu não vejo mulher alta casando", lamenta-se Fernanda, revelando que numa festa mulher alta só experimenta sensação depoderosa na primeira meia hora de uma festa: "Depois, ninguémchega junto", confessa. Fernanda relata o seu desespero: define que os homenssão 30% casados, 40% gays e 30% baixinhos. Uma tia casamenteiradescobre um ortopedista bom partido e lhe pede para quebrar umdedinho para justificar uma consulta. "O que é um dedinhoquebrado em troca de um bom casamento?" Fernanda logo descobreque o ortopedista é gay. Ela diz que a solteira chegando a umafesta é a mulher ventilador: "Fica olhando para um lado e paraoutro o tempo todo."A fórmula é imbatível para a platéia eminentemente feminina, quese enxerga na ansiedade - ou "desespero" - casamenteira dapersonagem. E, em São Paulo, onde estreou no fim de semanapassada, o efeito cômico se potencializou, reconhece Mônica:"Foi uma enorme surpresa para mim. Aqui em São Paulo as pessoasriem muito mais, mas muito mais que no Rio." Ela se fia nasurpresa para esperar a repetição do sucesso que a peça, tãosimples, fez em sua carreira carioca, onde ficou dois anos emcartaz e teve 150 mil pagantes. Os Homens São de Marte... E É pra lá Que Eu Vou!. 70 min. 14 anos. Teatro Procópio Ferreira (670 lug.). Rua Augusta, 2.823, telefone 11-3083-4475. 6.ª e sáb., 21h30; dom.,19 h. R$ 40 e R$ 50 (sáb.). Até 16/9

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