Peça é inspirada em documentário sobre moradora de lixão

Era uma aposta de risco. Quando decidiu transpor para o palco o argumento do documentário "Estamira", a atriz Dani Barros estava consciente dos perigos que corria. "Assisti ao filme dezenas de vezes. Estudava os trechos. Cada gesto, cada palavra. Mas aquilo já estava feito. Não fazia sentido nenhum reproduzi-lo", conta ela, que mereceu o Prêmio Shell por sua atuação.

AE, Agência Estado

29 de junho de 2012 | 10h27

De fato, não se pode dizer que seja uma cópia do documentário o que chega nesta sexta-feira ao Sesc Pompeia. Para compor o monólogo "Estamira - Beira do Mundo", a intérprete extrapolou os limites do cinema. Primeiro, foi atrás de sua personagem. Visitou e conversou com a verdadeira Estamira, uma catadora de lixo que trabalhava em um aterro sanitário do Rio de Janeiro. A aproximação se estendeu até a morte dela, aos 70 anos, em 2011.

Outro passo nessa construção foi a decisão de articular ao enredo elementos de sua própria biografia. "Encontrei ali algo que eu queria dizer", diz. "Vi aí a possibilidade de juntar duas coisas: o meu encantamento com Estamira e a minha história familiar."

Assim como Estamira, a mãe da atriz também sofria de distúrbios psíquicos. Vítima de depressão, passou por várias internações. E padeceu com uma infinidade de tratamentos e medicações que, não raro, mostraram-se inócuos. "A loucura é um assunto com o qual não sabemos lidar", acredita.

Dirigida por Beatriz Sayad, Dani sublima o passado penoso costurando elementos dos dois universos. Fala por si e pela personagem que encarna. Toma ainda emprestados textos de outros autores, como os poetas Manoel de Barros e Ana Cristina César.

A peça, que já cumpriu temporada no Rio e esteve na grade do último Festival de Curitiba, costuma impressionar o público pela semelhança entre o desempenho da atriz e a Estamira da vida real. Entre sacos plásticos, que evocam o ambiente de um lixão, ela reproduz com veracidade gestos, vozes e inflexões da personagem. "Existe uma parcela do trabalho que é realmente de imitação. Sou boa com isso", admite ela, que atuou durante muito tempo como palhaça no projeto Doutores da Alegria. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

ESTAMIRA - BEIRA DO MUNDO

Sesc Pompeia (Rua Clélia, 93). Tel. (011) 3871-7700. 6ª e sáb., 21 h; dom., 19 h. R$ 24. Até 29/7.

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