Peça discute a relação entre poder público e mídia

Bem antes das polêmicas que tomaram conta dos noticiários e da internet durante as últimas eleições, Marcelo Marcus Fonseca decidiu escrever um texto que abordasse as intrincadas relações entre mídia e poder público. Assim nasceu o texto Todos os Homens Notáveis, em 2002. Desde então, ele realizou leituras abertas ao público da peça e, a cada uma delas, aperfeiçoava sua escrita. Hoje, a 12.ª versão finalmente sobe ao palco do Teatro João Caetano, sob direção de Fonseca, com 12 atores, figurinos de Lola Tolentino e iluminação de Davi de Brito. A trama gira em torno de personagens fictícios, entre eles o dono de uma poderosa emissora de TV, o dono de um jornal, um publicitário e um jovem jornalista. No decorrer da peça, eles vão manipular a opinião pública para eleger um governador, mas acabam atropelados pela população. "A peça tenta colocar em questão a forma como se pode fabricar a imagem de um político", diz Fonseca. Num texto cuja temática está por demais colada à realidade, há sempre o perigo de não se conseguir ultrapassar o senso comum. "Acho que escapamos desse risco porque a peça revela mecanismos que costumam ficar ocultos. Por exemplo, o publicitário não se constrange em revelar sua estratégia para seduzir os pobres e tais planos são fascistas", diz. "É como naquele quadro do Programa do Gugu, citado na peça, em que os nordestinos recebem apoio para voltar para sua terra. Essa aparente generosidade mascara a intolerância que dá audiência ao programa." Fonseca garante ter buscado fugir dos estereótipos. "s personagens são ambiciosos, inescrupulosos, disputam poder, mas são seres humanos, não caricaturas." O contraponto está na figura do jovem jornalista, vivido por Manoel Candeias, que investiga a vida do governador. Até onde vai o seu poder? Só vendo o espetáculo. Todos os Homens Notáveis. 105 min. Teatro João Caetano (438 lug.). R. Borges Lagoa, 650, V. Clementino, 5573-3774, metrô Santa Cruz. 6.ª e sáb., 21 h; dom., 19 h. R$ 10. Até 17/12

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