Peça dirigida por Lázaro Ramos abre ciclo em São Paulo

Políticas afirmativas, cotas nas universidades, discussões sobre questões identitárias. O racismo está na pauta do dia. Mas nem sempre falar muito sobre um assunto significa deter-se efetivamente sobre ele. "Estamos em um certo estágio em que tudo já parece ter sido discutido e compreendido", acredita Lázaro Ramos. "A intenção era carregar o tema para outro lugar. Onde as pessoas ainda se permitam olhar para ele."

AE, Agência Estado

29 de novembro de 2012 | 10h26

Com "Namíbia, Não!", espetáculo que entra em cartaz nesta quinta-feira no Teatro de Arena, o ator estreia na direção. E tenta reposicionar o viés pelo qual se trata da questão da discriminação.

Escrita pelo intérprete e autor baiano Aldri Anunciação, a peça abre o ciclo Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada. O projeto busca refletir sobre a atual dramaturgia de autoria negra no Brasil e deve se estender até abril. Na grade, estão propostos, além de espetáculos, uma série de leituras dramáticas, debates e palestras.

"Namíbia, Não!", que já cumpriu temporadas no Rio e em Salvador, tem sua ação localizada em um futuro próximo, no ano de 2016. Move o enredo uma situação que resvala no absurdo: um fictício decreto governamental que obriga a todos os negros do País a serem deportados de volta para a África. Como se assistíssemos, cinco séculos depois, a um revés do tráfico de escravos.

O texto recorre ao humor para expor as contradições e dilemas criados pelo tal êxodo forçado. Para conseguir escapar da perseguição, dois primos trancam-se dentro de um apartamento. Acreditam estar protegidos pelo artigo 150 do Código Penal, que resguarda a inviolabilidade do lar.

No ambiente completamente branco e de ares futuristas, as paredes se mexem e intervenções em áudio e vídeo incluem a participação de artistas, como Luiz Miranda e Wagner Moura.

O público acompanha a discussão entre os dois personagens, que assumem posturas antagônicas sobre o exílio. Aldri Anunciação vive Antônio, um advogado bem-sucedido que não aceita a ideia de ser forçado a ir embora do Brasil. No campo oposto está Flávio Bauraqui: ele interpreta André, um estudante de Direito entusiasta da proposta de retornar à África. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

NAMÍBIA, NÃO!

Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Teodoro Baima, 94, Vila Buarque). Tel. (011) 3259-6409. 5.ª a dom., 20 h. R$ 20. Até 17/2.

PROGRAMAÇÃO

"As Paparutas" - dias 23 e 24/2/2013, às 15 horas.

"O Subterrâneo Jogo do Espírito" - de 28/2 a 3/3/2013, às 20 horas.

"O Silêncio de Depois" - de 7 a 10/3/2013, às 20 horas.

"Além do Ponto" - de 14 a 17/3/2013, às 20 horas.

"Seu Bomfim" - dias 21 e 22/3/2013, às 20 horas.

"Casa Número Nada" - 23/3/2013, às 20 horas.

"Siré Obá - A Festa do Rei" - dias 30 e 31/3/2013, às 20 horas.

"Urubu Come Carniça e Voa" - de 4 a 7/4/2013, às 20 horas.

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