Peça Big Bang celebra 15 anos da Cia. Truks

Durante anos a Cia. Truks aprimorou a linguagem do teatro de bonecos e de animação. Acumulou prêmios - APCA, Mambembe, Coca-Cola, Estímulo - com espetáculos como Cidade Azul, O Senhor dos Sonhos e Zoo-ilógico, todos voltados para o público infantil. Agora, para comemorar seu aniversário de 15 anos, a Truks cria Big Bang, uma lúdica e crítica gênese da humanidade, voltada para o público juvenil. O aniversário é da trupe, mas o presente é para o público, uma vez que peça estréia hoje, no Sesi Vila Leopoldina, com sessões gratuitas de quinta a domingo. Henrique Sitchin, criador da Truks, assina a direção e divide com Verônica Gerchman a concepção geral e a dramaturgia de Big Bang. Palavras, há poucas no palco. Mas não faltam imagens criadas pela manipulação de bonecos, de animação e o chamado teatro negro, no qual objetos fosforescentes ganham vida sob luz negra. "Não há uma trama contínua, mas uma sucessão de esquetes que recriam desde acontecimentos históricos até passagens bíblicas, como o dilúvio", explica Sitchin. Que ninguém, claro, espere uma seqüência lógica. "Há um certa bagunça com tempo e espaço", brinca o diretor. Assim, após a explosão inicial que dá origem à Terra, o espetáculo passa por um pequeno salto - "apenas alguns bilhões de anos" - e já estamos diante do homem das cavernas. Nessa primeira cena ´humana´ o público acompanha o ´flerte´ entre um casal. "Ele é um troglodita e a mulher é superevoluída, mas acaba cedendo." Não vale estragar a surpresa, mas pelo que conta o diretor é bem divertida a cena da ´transa´ deles atrás de uma moita. Como acontecia desde a pré-história ela fica grávida e aí... Bem, há um outro pequeno salto no tempo e o que vem depois já é o dilúvio. O descobrimento das Américas e as viagens espaciais são alguns dos acontecimentos históricos que o espectador verá nessa lúdica criação da Truks. Sitchin chama atenção para a especificidade dessa linguagem. "Teatro de bonecos não é miniatura de teatro de ator. O teatro de bonecos é uma linguagem em si mesma, como o de objetos animados, ou de sombras, ou teatro negro. Um ator, de carne e osso, tem recursos de expressão facial e vocal que num boneco são muito limitadas. Por outro lado, um boneco tem possibilidades inimagináveis para um ator." Por exemplo? Num dado momento de Big Bang um trabalhador é obrigado a multiplicar os seus braços para dar conta das tarefas impostas pelo patrão e, literalmente, o faz. Já numa outra cena, um homem vai perdendo os seus membros, um a um. Mas será que se justifica a recomendação de faixa etária acima de 12 anos? "O espetáculo é irônico, crítico, cheio de referências; há um jogo constante em cena que a criança não atinge. E se é para ir pelos bonecos e imagens, é melhor ver os espetáculos infantis da Truks." Big Bang. Teatro Popular do Sesi de Vila Leopoldina (80 lugares). Rua Carlos Weber, 835, Vila Leopoldina, tel. 3832-1066. 5.ª a sáb., 20 h; dom., 18 h. Grátis - retirar ingressos uma hora antes. Até 2/7

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