Peça aborda interferência de Deus no destino

A nova peça de Mário Bortolotto, O Que Resta do Sagrado, fala sobre o mal que habita o homem e estréia hoje, no Espaço dos Satyros, com direção de Bortolotto, que também está no elenco de sete atores. Os personagens "são uma gente muito ruim", define o autor. Na peça, Deus também parece pensar assim. Seis pessoas de classes sociais e profissões diferentes - de um empresário e sua secretária até uma escritora - são atraídas para uma igreja. Ali, um padre explica que a humanidade inteira dará o seu último suspiro naquela noite, a não ser que eles confessem e se arrependam de seus pecados. O encontro logo se transforma em confissão coletiva. Mas tudo não passaria de um indigesto rosário de atrocidades não fosse o questionamento que é o cerne da peça: o homem é senhor de seu próprio destino? Tem controle sobre os seus atos? O surpreendente, na peça, é a forma como a questão da culpa e do perdão se volta para Deus. "Quero acreditar que sou dono do meu destino, mas tenho muitas dúvidas sobre isso", afirma Bortolotto. "Não busco respostas, até porque o teatro não serve para dar respostas, mas para fazer perguntas", diz. Mais uma vez, o que ele espera é apenas provocar reflexão. Afinal. "se tem um tema para o qual cabe a palavra inescrutável, é o sagrado".O Que Restou do Sagrado - Espaço dos Satyros. Praça Roosevelt, 214, Consolação, 3258-6345. terça e quarta, às 21h30. R$ 10. Até 15/12

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