"Pavilhão 5" discute abismo entre rico e pobre

Com texto e direção de Reinaldo Maia, estréia nesta sexta-feira, no Teatro Galpão do Folias, Pavilhão 5. Apesar do que o título sugere, a peça não mergulha no universo do sistema carcerário - caso de A Mancha Roxa, de Plínio Marcos. No entanto, há algo em comum entre os dois autores: ambos buscam refletir sobre o não assumido - porém muito real - apartheid entre ricos e pobres na sociedade brasileira.Uma das inspirações para a criação de Pavilhão 5 veio de uma entrevista do rapper Mano Brown, líder dos Racionais MC´s. "Não sou defensor de preso, não sou defensor de criminoso não sou a favor de estuprador, não sou a favor de droga, mas a maioria dos caras que está dentro da cadeia é preso político, mano, é cara que está preso porque sempre foi pobre, porque não teve outra saída, tá ligado?", declarou Mano Brown para um número especial da revista Caros Amigos. "Porque o Brasil tem um contraste, o cara muito pobre aqui e o rico lá", completa Brown.É sobre esse contraste que Reinaldo Maia constrói a história de Pavilhão 5. Valdiney e Ariadne são dois personagens que vivem na cidade de São Paulo. Aparentemente, vivem o mesmo dia a dia, mas estão separados por suas origens sociais. "Ambos vêm de universos tão diferentes que mesmo quando ambos desejam uma aproximação, fica difícil superar o abismo que existe entre eles."Valdiney, interpretado por Fernando Paz, é aluno de uma escola de periferia. Um bom aluno. Ainda assim, "vacila" e vai parar numa casa de correção para menores. A peça é estruturada sobre o diálogo entre Valdiney e sua professora Ariadne, que resolve visitar o aluno na Febem. Um diálogo que, a princípio, parece fadado ao fracasso. As "boas e equivocadas" intenções da professora esbarram na resistência de um jovem inteligente e defendido. Numa das visitas, uma rebelião é deflagrada e envolve ambos na mesma tragédia.Não por coincidência a peça é estruturada em diálogos. Mais que narrar a história de Valdiney e Ariadne, Maia quer chamar a atenção para a necessidade de real compreensão das diferenças que separam a periferia da "cidade iluminada". Sem tentativa de diálogo, não há como romper a barreira já construída entre esses dois mundos. "E fica fácil culpar o outro lado pelas mazelas que atingem, coletivamente, a todos." Há anos trabalhando com jovens de periferia, Maia sabe do que fala.Pavilhão 5. Texto e direção Reinaldo Maia. Duração: 50 minutos. Sexta, às 19 horas; sábado, às 20 horas. R$ 15,00. Galpão do Folias. Rua Ana Cintra, 213, tel. 3361-2223. Até 28/7.

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