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Pavanas

A verdade é que os insetos parecem saber algo que nós não sabemos

Luis Fernando Verissimo, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2017 | 02h00

Dizem que, na iminência de uma catástrofe (terremoto, furacão, erupção de vulcão), os bichos silenciam, pressentindo o que vem. Como interpretar não o silêncio, mas o desaparecimento gradual de insetos voadores observado em todo o mundo? Prenúncio de qual tragédia que se aproxima? Os cientistas que notaram o fenômeno não sabem explicá-lo. Se tivessem prestado atenção no estranho comportamento das abelhas, ultimamente, não se surpreenderiam com o atual sumiço dos insetos. 

Não sei se você já leu. Começou nos Estados Unidos, onde as abelhas estavam saindo das suas colmeias e não voltando. Nos Estados Unidos, poderia haver uma explicação lógica para o fato: as abelhas estariam simplesmente reagindo à eleição do Trump e emigrando. Mas o fenômeno se repete no resto do mundo. Ninguém sabe para onde vão as abelhas que não voltam. Não morrem, o que poderia ser atribuído aos agrotóxicos. Desaparecem. Se veículos espaciais estão vindo buscá-las (talvez os mesmos que as trouxeram), ainda não se viu nenhum.

As abelhas têm um apurado senso de orientação e poder de comunicação. Transmitem ao resto da colmeia as exatas coordenadas de um campo florido descoberto, através de uma dança. Apicultores tinham notado uma mudança nos movimentos das danças ultimamente, e não dado a devida importância à novidade. Talvez as abelhas já estivessem dançando pavanas para um mundo em agonia há algum tempo. 

A verdade é que os insetos parecem saber algo que nós não sabemos.

Mundo Mundo. (Da série “Poesia numa hora destas?!”)

Assim terminaria o mundo, mundo, vasto mundo, se o Eliot se chamasse Raimundo.

Não com um estrondo ou outro som, mas com uma rima do Drummond.

Juca. Quem gosta de futebol e bons textos deve ir correndo comprar o livro do Juca Kfouri, Confesso que Perdi. Juca é o nosso melhor comentarista esportivo, mas é mais do que isso: também tem enfrentado a politicagem da cartolagem com destemor e ganhado todas. Saboreie devagar.

De Armas. As principais razões para ver Blade Runner 2049 são - não necessariamente nessa ordem - a trilha sonora e a Ana de Armas. A trilha espetacular é do inglês Benjamin Wallfisch e do alemão Hans Zimmer, mas mais espetacular é a cubana Ana de Armas no papel da companheira holográfica do herói. E o filme não é ruim. 

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